Visão periférica

Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

Que o Sporting ganhe esta guerra

Por muito que se queira, é impossivel passar ao lado do que está a acontecer no Sporting. Ao longo da minha vida profissional, habituei-me a ver o Sporting como um grande rival, daqueles que dá gosto defrontar, pela sua qualidade, pela alma, pela força dos seus adeptos que são, na realidade, ferverosos amantes do clube, que não se poupam a esforços para apoiar o clube. Vivi grandes clássicos com o Sporting, perdi umas vezes, ganhei outras, mas foi sempre com um enorme respeito que o defrontei, porque o Sporting merece e mete respeito. Por ser um clube com um passado riquíssimo, com um ecletismo apreciável e único em Portugal, não merecia passar pelo que está a passar. Nem o clube, nem os seus adeptos, ninguém, enfim, da família sportinguista.

O drama que os jogadores viveram em Alcochete foi algo de abominável, de impensável e com consequências terríveis para o clube e, particularmente, para os profissionais que o defendem e que cometeram o 'pecado' de falhar o segundo lugar na I Liga que dava acesso à Champions. A derrota na final da Taça de Portugal já foi uma consequência dessa agressão bárbara em Alcochete, de que agora começamos a conhecer alguns pormenores sórdidos através da carta de rescisão de Rui Patrício. O guarda-redes do Sporting e da Seleção Nacional está agora a ser alvo da violência psicológica de quem ainda manda nos destinos do clube. E um guarda-redes como Rui Patrício não merecia passar por isto. Por toda a dedicação que sempre teve com o clube, pela boa pessoa que é, pela qualidade que tem e que já serviu para muitos êxitos do Sporting, impondo-se pelo seu trabalho desde o dia em que Paulo Bento resolveu apostar nele contra muitas vozes que logo depois tiveram de se calar. Esperemos que este momento terrível que está a passar não tenha influência na missão de defender Portugal no Campeoanto do Mundo.

A Rui Patrício outros companheiros se seguirão a apresentar as rescisões de contrato e naturalmente isto preocupa os sportinguistas, os verdadeiros sportinguistas porque há quem ande a fazer muito mal ao clube. E a grande questão que se coloca neste momento é, como é que isto vai acabar, como é que o Sporting vai sair deste momento tão delicado e tão perigoso para o futuro do clube. Às vezes dá a sensação de que a situação caiu num descontrolo absoluto e que as consequências de algumas bizarrias serão terríveis para um clube histórico de Portugal. Pela minha parte, e sinceramente, desejo que o Sporting ultrapasse este mau momento, pelos adeptos, pelos jogadores, pelos técnicos, e particularmente por Jorge Jesus, a quem deixo aqui um forte abraço de coragem. Que o Sporting ganhe esta guerra.

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