Vítor Pinto
Vítor Pinto Subdiretor

Abel(idade) para liderar

Abel Ferreira é um líder genuíno. Sem coreografias ou notas forçadas, consegue incutir mensagens que tocam os jogadores. O crescimento institucional do Sp. Braga é obra, antes de mais, do presidente António Salvador, mas o treinador eleito para o assalto ao título já conseguiu criar "uma imagem de marca"muito própria que o futebol português aprendeu a respeitar. "Só assim poderemos competir com clubes que têm melhor treinador, melhores jogadores, só não sei se têm melhor equipa", disse-me recentemente o técnico arsenalista com a sua naturalidade pragmática. Como o desafio assumido passa por "com menos, fazer mais", nenhum problema ganha dimensão dramática, mesmo quando jogadores cruciais ficam longos meses fora de combate, e as pequenas soluções permitem atingir grandes resultados. Eis a singela radiografia do Sp. Braga que comanda, isolado, a 1ª Liga.

Como qualquer ameaça ao domínio dos tradicionais grandes rapidamente passa a ser olhada de soslaio quando se desvanece o encanto da novidade, não vai tardar muito a que os elogios de plástico cedam o seu lugar aos presságios sobre a tal queda mais ansiada do que verdadeiramente expectável. O Sp. Braga é candidato a fazer uma época de sonho e só apontando ao título pode pensar, sequer, no pódio. "Ambição ilimitada" é outra expressão que se ouve frequentemente no balneário da Pedreira. O que escapa a quem não conhece o fenómeno por dentro é que, apesar de já olhar a concorrência a partir do topo, estes Guerreiros ainda têm margem de crescimento. Sim, basta notar que Paulinho, o melhor marcador da época passada, só agora entrou e que Raúl Silva continua parado. O génio saltou da lâmpada e boa sorte para quem achar que será fácil voltar a prendê-lo.

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Por Vítor Pinto
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