Jorge Jesus vertiginoso
Não existem segunda oportunidades para as primeiras impressões. Jorge Jesus foi claro no arranque para este ciclo de quatro anos à frente da Seleção Nacional: a ordem é para manter o prego a fundo. Acabaram os discursos mornos, mansos, cobardes até, fruto de uma liderança que privilegiava a concórdia à exigência, a mediocridade à coragem, o medo ao risco. JJ foi vertiginoso e já deixou recados, arrancou sorrisos, suscitou aplausos, em suma, foi igual a si próprio. O peso institucional da FPF não esmagou a essência genuína do técnico que faz 72 anos no dia 24 nem o tornou refém do politicamente correto. É essa rebeldia de septuagenário sem idade que Jesus apresenta como trunfo perante um balneário de craques jovens, milionários, mas demasiado aconchegados na zona de conforto. A inquietação do míster é diária e todo o tempo de trabalho com as quinas ao peito será direcionado para concretizar o repto ambicioso lançado por Pedro Proença: tornar Portugal a melhor seleção do Mundo. Ter um treinador que não se esconde é um bom primeiro passo.
