O perigo das inclinações
Sinto-me inclinado a concordar que Mitchell van der Gaag identificou um dos problemas graves do futebol português. Os jogos são demasiadas vezes inclinados e não há solução fácil para que os tabuleiros voltem a equilibrar-se. Talvez não fosse bem a isso que o técnico holandês fez alusão, mas o facto é que um duelo em que o FC Porto, além dos golos esperados (2,13-0,19) e das grandes oportunidades (5-0), concretiza 47 toques na área adversária contra apenas 4 do Marítimo, padece de uma inclinação preocupante. Aliás, os verde-rubros denotaram o índice mais baixo de expectativa de golos contra os dragões esta temporada, o que não lhes abrilhante o desempenho. O cenário não foi muito diferente na Luz, com os toques na área favoráveis às águias em 49-12, além de igual declive em grandes oportunidades (5-0) e fosso nos golos esperados (2,76-0,43). No caso do Sp. Braga-Sporting, onde felizmente ainda houve desafio a um grande, os arsenalistas até tiveram mais ações na área 36-26, mas os leões acabaram por ser mais contundentes. Estes dados objetivos são muito mais relevantes do que as insinuações que nada escondem das verdadeira intenções, mas tornam-se igualmente preocupantes. O futebol português, para crescer, tem de começar por desinclinar mentalidades que tresandam a retrogadismo.