Instinto de sobrevivência

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Antes de outras considerações, vamos olhar com olhos de ver para a nossa gloriosa campanha do Euro’2016. Empates contra Islândia, Áustria e Hungria a abrir; triunfo no prolongamento sobre a Croácia, nos penáltis sobre a Polónia e finalmente um êxito nos 90’ contra Gales nas meias-finais, abrindo caminho ao inesquecível título que Éder carimbou novamente no prolongamento. Resumindo: em sete encontros disputados em França, o conjunto das quinas só venceu um no período normal de uma partida. Perante os restantes obstáculos imperou um enorme instinto de sobrevivência de uma Seleção na qual ninguém acreditava, que nunca tinha ganho nada, mas que não teve medo de superar todos os limites. É esse espírito que Fernando Santos tem de incutir neste grupo que afinal já levantou troféus, mas que exorcizou o fantasma do conformismo ao proclamar, contra a França, a sua capacidade de renascer das cinzas após o desastre frente à Alemanha. Portugal vai jogar a vida em cada batalha. Tem de querer chegar a Wembley e, sobretudo, querer mais do que uma seleção da Bélgica cansada de morrer na praia e que, depois de falhar em 2016 e 2018, procura construir a redenção em cima do triunfo sobre a legião lusitana. Não há mistérios nem segredos. Entre duas seleções de topo vão decidir os momentos de génio, erros, os detalhes, mas sobretudo a alma inquebrantável. Esse predicado que já nos deu um Europeu.

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