A cultura do desconforto
Quando se assume como um profeta do desconforto, que acredita na perpétua inquietação como combustível do sucesso, Bruno Lage não lança desafios apenas para o balneário. Também as estruturas superiores, talvez de todos os clubes, são viciadas nas tais zonas confortáveis onde todos os negócios correm bem, as narrativas não fogem aos guiões pré-elaborados, os empresários amigos ficam contentes, os adeptos são submissos e os jornalistas reverentes. Só que, ante o tiro na água com Mattia Perin, o grande fiasco da silly season, o técnico do Benfica decompôs a equação da baliza encarnada de uma forma que poucos terão entendido na sua verdadeira extensão. O problema alega, não é Vlachodimos, mas o conforto do grego ante a falta de concorrência que passa um atestado de inutilidade a Svilar. E como o greco-alemão dá todas as garantias, a SAD sai para o mercado à procura de Navas, Cillessen, Perin e do próximo de uma fila que não vai tardar a andar, dado que o italiano partiu para não mais voltar. O desconforto é evidente, mas Bruno Lage talvez não estivesse a falar propriamente da mesma coisa.
