A febre dos ovos de ouro
Não me lembro, no meu período de vida, de um momento em que o futebol estivesse tão ameaçado pela ganância de uma febre dos ovos de ouro que nada respeita. Basta pararmos um minuto para pensar. As competições como as conhecemos estão a ser descaracterizadas. O Mundial já pode ser no inverno e, de 48 apurados, ainda há de acabar nos 64. O Europeu já perdeu o país organizador e não tardará a ser disputado por 32 seleções. A FIFA, em eterno braço de ferro com a UEFA, vai acabar por impor o seu Mundial de clubes alargado a 24 participantes com a promessa de ajudar a bloquear o risco de surgimento de uma Superliga. Algumas clientelas, invejosas do sucesso da Liga das Nações e do espaço que queriam livre para amigáveis lucrativos, vão acabar por globalizar a prova. Blatter e Platini já desapareceram de cena, Infantino e Ceferin até podem não ser corruptos, mas as diferenças detetáveis acabam aí.
