A solidão de Conceição
Nem o facto de ser o ilustre detentor das quatro provas nacionais chega para Sérgio Conceição se sentir reconhecido no futebol português. No seu íntimo, as conquistas que granjeou, em tempos da maior crise financeira do clube, deveriam torná-lo consensual. Ao invés, as polémicas são infindáveis, mesmo quando opta por protestos silenciosos. Ao que já alcançou dentro de fronteiras soma uma competitividade notável na Liga dos Campeões. Ainda assim, sobretudo na hora das derrotas, o treinador do FC Porto continua a sentir-se sozinho. David Carmo custou 20 milhões e não joga, é verdade, mas essa balança pende a favor do técnico que tem espremido talento improvável de reforços oriundos da equipa B ou de formações do meio da tabela. Conceição não exigiu reforços de inverno, mas exigirá sempre que toda a gente à sua volta no FC Porto queira ganhar tanto como ele. Seja nas críticas aos apanha-bolas, nas mensagens para o balneário ou recados para os gabinetes da SAD, por mais épocas que passe no Dragão nunca deixará ninguém acomodar-se. Mesmo que isso incomode.
