Em Portugal faz-se tudo ao contrário. O Ministério da Cultura, Juventude e Desporto não convocou Sporting e FC Porto para os chamar à pedra depois dos episódios lamentáveis das últimas semanas e dizer que, apesar das razões entendam assistir-lhes, o Governo não tolerará que voltem a brincar com o fogo. Não, foi o Sporting que pediu uma audiência com Margarida Balseiro Lopes, tendo-se seguido o FC Porto, marcando presença nos encontros o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias. Os clubes é que vão falar com o poder político e, pelo que pode antecipar-se, dispostos a utilizar da mais contundente artilharia argumentativa. Se a ministra se vai limitar a ouvir, encarando as audiências como meros convívios pascais para troca de amêndoas, estamos mal. Este é o momento de vincar a autoridade do Estado e não de sorrisos de circunstância. O País desportivo está à escuta. Qualquer sinal de fraqueza acabará por refletir-se também no primeiro-ministro Luís Montenegro, que até por não haver eleições para breve jamais poderá vacilar perante os estilhaços do futebol.