Concorrência sem lealdade
O Benfica avançou para Kaio Jorge em condições muito complicadas, que auguravam um insucesso, mas o facto é que, nos tempos que correm, é completamente impossível a qualquer clube português superar propostas oriundas da Serie A. Há uma concorrência desleal causada pelo enorme fosso de encargos fiscais que contrastam com a leveza transalpina e, antes de Kaio borregar para Juventus, já Viña tinha tomado o a caminho de Roma apesar das aproximações do FC Porto. A competitividade da indústria do futebol português perante vários dos seus pares na União Europeia está comprometida e, como tomar a nuvem por Juno é um dos passatempos preferidos dos atores do poder político nacional quando não estão em camarotes presidenciais de estádios, suscita menos críticas hipócritas de comentadores ou opositores a lavagem de mãos ante investidas tributárias sobre as SAD sem qualquer apoio sustentado ao sector. Mesmo assim não faltam Pilatos prontos a aparecer na fotografia quando a bola não bate na trave, ainda por cima mais aliviados agora que a borrasca contestatária que lhes toldava o horizonte foi dissipada pela Operação Cartão Vermelho.
