Democracia musculada
O presidencialismo exacerbado é o regime que mais agrada aos sócios dos principais clubes portugueses. Caso contrário não se congregariam com semelhante devoção em torno de 'queridos líderes' que instigam a confusão entre as fronteiras dos interesses dos clubes e dos seus projetos pessoais de poder. Sejam eles mais ou menos benignos. Nessa linha, só dá vontade de rir o estertor das numerosas fações, quer do benfiquismo como do comentário desportivo, em torno da autocracia de Luís Filipe Vieira que o levou a determinar, após uma reflexão solitária pela noite dentro, e passando por cima de determinações supostamente colegiais, a manutenção de Rui Vitória no cargo contra ventos e marés. É precisamente isso que é suposto um presidente fazer, em Portugal, para vincar a sua força e autoridade, rejeitando a disseminação do centro de decisão. Ainda para mais numa altura em que na Luz se afiam facas em modo conspirativo para as eleições de 2020.
