Espírito de Conceição

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A personalidade irreverente de Sérgio Conceição é muitas vezes motivo de corrosivas críticas que lhe são tecidas. Nem se pode dizer que seja um incompreendido, porque como treinador acaba por ser uma continuidade do que demonstrava como jogador. Talvez por isso, no Euro’2000, num jogo onde estive a trabalhar na banheira de Roterdão, transformou o que parecia um mero jogo-treino para as segundas linhas da Seleção num momento épico do nosso historial coletivo. Marcou três golos, derrubou a Alemanha e provocou a maior crise de sempre do futebol germânico e que forçou a sua reinvenção. A poucos dias de completarmos 21 anos sobre essa noite épica, aquilo que nos salta à vista é que, desde aí, Portugal acumulou quatro derrotas consecutivas contra a mannschaft. Por isso, o duelo de amanhã tem um significado ainda mais especial. Realiza-se no terreno do adversário, mas o triunfo contra a Hungria confere uma confiança que abre a porta à ânsia de repetir a inesquecível gesta da Holanda. Sem medo, com coragem, usando a ambição e a exigência como armas. É altura do triunfo de Conceição ser rendido na memória.

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