O cartão sem adeptos
A rábula em torno dos bilhetes para apoiantes do FC Porto que poderão ter acesso à Zona de Condições Especiais de Acesso e Permanência de Alvalade destinada aos visitantes está a tornar-se um verdadeiro requiem ao cartão do adepto. Mesmo quando a polémica e a rejeição generalizada se tornaram evidentes tentei sempre valorizar os aspetos aparentemente positivos da iniciativa, visando colmatar as falhas da anterior lei que tentou impor, com o insucesso que se conhece, o registo dos grupos organizados de apoio. Todavia, ao descobrir, esta semana, que na inscrição para o cartão do adepto qualquer pessoa pode filiar-se a três clubes, o processo está definitivamente ferido de morte naquela que era a sua razão de existir: garantir a absoluta segurança nos estádios. Um princípio que se esboroa a partir do momento em qualquer indivíduo pode dizer-se simultaneamente adepto de Benfica, Sporting e FC Porto e aceder a áreas restritas sem qualquer controlo prévio. Em suma, face ao negacionismo em relação ao cartão do adepto só um grande ‘reset’ poderá salvar esta ideia que, de raiz, parecia benigna.
