Os telhados sem vidro

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Em domingo de folga pude explicar à minha filha o princípio do ‘Fudoshin’, um dos pilares das artes marciais japonesas, e que para simplificar a explicação neste espaço curto, define um estado mental que assenta na imperturbabilidade face a "pensamentos internos ou fatores externos". Manter um espírito sereno e equilibrado é o desafio que se coloca a quem, como os jornalistas que não se satisfazem com meias verdades ou mentiras de perna curta, tem de navegar por entre a turbulência das tempestades fabricadas pelas máquinas de comunicação que não conhecem limites. Ou seja, todas. Até porque não falta quem se coloque na fila para fazer o trabalho sujo, seja um comentador alinhado, um blogue fervoroso , uma rede de perfis falsos em redes sociais ou até algum empresário ansioso por comprovar a sua utilidade para todo o serviço, isto quando o costumeiro tuíte oficial durante os jogos dos rivais não produz os efeitos desejados, omitindo os próprios telhados aos quais já nem os vidros restam. Eis como, enquanto os media da especialidade exaltam o facto de termos a Liga mais competitiva da elite europeia, valorizada por ainda contar com dois clubes nas provas da UEFA, são os próprios intervenientes que não resistem às vertigens autofágicas. Pelo exemplo da semana que findou, convém que alguém acorde e cheire o café antes que o incêndio se torne incontrolável e manche a reta final do campeonato.

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