Um Mundial com futebol

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Chega finalmente o dia em que o Campeonato do Mundo do Qatar vai começar a ser falado, também, por aquela que deveria ser a sua essência. Não será uma surpresa para o leitor de Record, mas por vezes também temos de dizer o óbvio: pode não parecer mas este Mundial também tem futebol. A corrupção que permitiu esta escolha sem sentido, a escravidão que oprimiu a mão de obra na construção dos estádios, o desrespeito pelos direitos humanos no Qatar ou a hipocrisia global que ganhou em Gianni Infantino mais um arauto sem ponta de vergonha são males sem remédio. Resta a esperança de que o futebol fale mais alto, que a anormalidade de um certame deste tipo disputado no inverno, provocando o caos nos calendários, se reflita positivamente no rendimento de craques como Bernardo Silva, que admitiu sentir-se muito mais fresco. O Qatar de Pedro ‘Ró-Ró’ Correia, nativo de Mem Martins, entra em campo às 16 horas frente a um Equador, imagine-se, a lidar com suspeitas de ter ‘vendido’ o jogo.

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