Um Mundial politizado
A expulsão de Omar Abdulkadir Artan, natural da Somália, por parte das autoridades norte-americanas, significa mais do que a ausência do melhor árbitro de África no Mundial. Os abusos que resultam das políticas de imigração dos Estados Unidos preocupam também pelas sete horas de interrogatório a Aymen Hussein, figura da seleção do Iraque, que se somam a sucessivas queixas de delegações ou meros adeptos. Parece mais fácil olhar para o outro lado e dizer em surdina que há um perfil de visitante que está sob estreito escrutínio, validando o racismo subjacente, e que as representações de regiões não-islâmicas estarão a salvo de serem incomodadas. Todavia, o facto é que ninguém pode garantir que, ao fazer a transição do Canadá ou do México para a nação presidida por Donald Trump. não terá algum jogador importante a ser vetado no aeroporto. A FIFA, perante o escândalo com Omar Abdulkadir Artan, limitou-se a lavar as mãos. Até porque "não interfere nos procedimentos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos". Ou seja, neste Mundial politizado, é a própria verdade desportiva que é jogada na roleta russa das flutuações de humor de Donald Trump, que a esta altura já nem se lembra de ter recebido o escabroso Prémio da Paz da FIFA.
