Uma criança em lágrimas

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Por muito que tentem fazer piruetas a alegar o contrário, ninguém me convence que uma criança equipada com a camisola de um clube grande é uma ameaça à segurança num estádio de futebol. Desta vez foi em Viseu que um jovem adepto, quem sabe podendo estar perto de ver a sua equipa pela primeira vez, foi barrado às portas do recinto e impedido de aceder se não tirasse a camisola. Não foram lágrimas sem paralelo, porque ficou célebre o episódio em que, em Famalicão, tocou a um jovem benfiquista ficar de tronco nu se quisesse ver a bola, caso contrário teria de regressar a casa ainda mais frustrado e revoltado. Apenas duas situações de muitas que escaparam aos holofotes mas das quais fomos tendo conhecimento. Compreendo a necessidade de implementar medidas de segurança rigorosas, ainda que seja discutível que mesmo fora do sector visitante do Fontelo onde estavam as claques portistas houvesse um elevadíssimo risco de confronto. Mas acima de qualquer decreto ou comunicado tem de estar o bom senso. Afastar crianças da festa do futebol ou submetê-las à humilhação de se despirem em público não é aceitável muito menos antes a passividade das forças de segurança que devem cortar a direito quando os poderes do futebol passam as linhas. 

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