Vamos falar do campeão
Sérgio Conceição tem razão, em parte, quando diz que o título do FC Porto não foi tão incensado como ele consideraria justo. E apenas em parte porque o sucesso dos azuis e brancos acabou por ficar sustentado numa evolução que, apesar das usuais polémicas "do futebol", no momento de falar "de futebol" cativou o reconhecimento generalizado, mesmo das vozes que representam os rivais. O que pode ter ofuscado o brilhante momento desportivo foram tristes questões extradesportivas que envolveram a perda de uma vida e o alarme social na cidade daí resultante, as recorrentes tricas jurídicas emanadas da esfera dos órgãos disciplinares e, temos de o encarar com frontalidade, a 5.ª edição do tabu da continuidade do próprio Sérgio Conceição que se repete a cada final de época e que alimenta uma dúvida que deixa muitos adeptos inquietos. Os mesmos indefetíveis que, nas duas épocas em que o atual técnico não foi campeão, nunca deixaram decrescer a confiança total no seu trabalho e na ligação umbilical ao FC Porto. Por isso é que será sempre contranatura qualquer cenário em que o mentor da obra-prima abandone a meio o seu trabalho minucioso.
