Análise de Leonor Pinhão, Rui Calafate e Nuno Encarnação

Bancada de sócios

1. Jesus errou ao fazer tantas alterações na equipa que jogou com o Rio Ave em relação àquela que apresentou em Madrid? Acha que o treinador do Sporting ficou inebriado com os elogios após a Champions?

Leonor Pinhão: «Erros? Quais erros?»

Jesus não comete erros. O problema, como explicou, veio da incompetência dos jogadores, que não perceberam a mensagem do treinador e não mudaram o ‘chip’ de Madrid para Vila do Conde. Jesus também não precisa de elogios do exterior para se sentir inebriado consigo próprio, porque lhe bastam os seus elogios a si mesmo para ser feliz. No entanto, o peso das suas palavras na antevisão do jogo de domingo terá motivado bem mais os jogadores do Rio Ave do que os do Sporting.

Rui Calafate: «Ter ego é bom»

Jorge Jesus é um grande treinador em Madrid e em Vila do Conde. Quando o Sporting o contratou, para lá do seu talento inquestionável, contratou também a sua personalidade. Ter ego é bom e dizê-lo bem alto é corajoso, mas faz mal aos hipócritas que se habituaram à mediocridade do politicamente correto e daí as críticas que lhe fizeram. Mas devemos, por vezes, temperar o ego. E não devemos tirar nenhum mérito à vitória do Rio Ave, que fez grande exibição.

Nuno Encarnação: «O gigante pigmeu»

JJ ele próprio é um erro. Não digo que seja bem feito, porque não desejo mal nenhum aos adeptos do Sporting que merecem ter alegrias, e que não têm culpa de ter uma pessoa assim como grande ‘líder do clube’, segundo Bruno de Carvalho. Aos 62 anos de vida, só tem como grandes proezas no seu palmarés a conquista de três campeonatos graças ao Benfica, que não tem no historial nenhum título europeu, quer passar a gigante quando é apenas um pigmeu no futebol mundial. Que lhe sirva de lição.

2. O que teve mais peso para o Benfica chegar à liderança, para além dos deslizes da concorrência? O regresso de um ponta-de-lança de raiz (Mitroglou) ou a gestão de Rui Vitória?

LP: «Líder hospitalar»

O que teve mais peso foi o facto de o Benfica olhar para este jogo com muita seriedade, porque o Sporting de Braga é a segunda melhor equipa a jogar no campeonato português… das que não são treinadas por Jorge Jesus, obviamente. O regresso de Mitroglou foi um sucesso total. Dois golos e muitos abraços. A gestão de Rui Vitória é igual ao Rui Vitória. Portanto, podemos contar com serenidade e convicção no modelo de jogo. E assim se chegou à frente a linda equipa do Hospital.

RC: «Conta é como acaba»

Em primeiro lugar, o Benfica está à frente porque os rivais não ganharam. Depois, tem um plantel rico e com muitas soluções, mas o que conta é como acaba. No ano passado, nesta altura, o Benfica estava em crise e muitos benfiquistas duvidavam de Rui Vitória; agora comanda mas ainda não teve nota artística e não é a melhor equipa do campeonato. O que interessa salientar é que esta será uma Liga onde os três grandes vão perder muitos pontos.

NE: «Mérito do Benfica»

O Benfica teve um jogo difícil, mas enfrentou um Sp. Braga destemido e sem medo. Tivesse o Sp. Braga marcado no primeiro tempo e a sorte do jogo seria outra.. Mérito para o Benfica, suicídio para o Sp. Braga. Jogar assim na Luz, em toda a largura do campo, tem destas coisas. Valeu o bom jogo que ambas as equipas nos proporcionaram.

3. A culpa do nulo do FC Porto em Tondela foi dos avançados ou do sistema? Nuno Espírito Santo deve voltar a mudar e regressar ao tradicional 4x3x3?

LP: «Pouco Porto»

Neste arranque de temporada nem André Silva nem Depoître conseguem chegar perto do rendimento do proscrito Aboubakar no início da época anterior, o que nem sequer é um grande elogio a Aboubakar. Foi um Porto muito pouco Porto que se apresentou na casa da intratável equipa de Petit. E o jogo com os dinamarqueses não serve de desculpa porque também foi pouco o Porto que se viu na quarta-feira. O ideal seria ‘regressar ao tradicional’, o que parece difícil de acontecer.

RC: «Pouca ambição»

Este Porto ainda não me convenceu, o discurso calmo e pouco ambicioso de Nuno Espírito Santo não encanta, exibições monocórdicas e sem brilhantismo têm sido o habitual. Depoître não tem categoria para ser titular e manieta André Silva. Se Nuno Espírito Santo melhorou e consolidou o processo defensivo, ainda lhe falta encontrar a alquimia para um dragão feroz e com fogo no ataque. Enquanto assim for, sobrevive o espetro de Lopetegui.

NE: «Faltam mais opções»

Espírito Santo tem feito um trabalho sério com uma equipa renovada e muito jovem. O Tondela sempre deu grandes dificuldades aos grandes em casa – veja-se o que aconteceu ao Benfica quando lá jogou. O Porto tem jogadores de grande qualidade, mas continuo a dizer que NES deveria ter mais opções de qualidade no ataque e no eixo central da defesa. A equipa é dominadora, tem posse de bola, procura a baliza, é rematadora, mas falta-lhe objetividade e eficácia. Acredito que vai melhorar.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação desportiva.
  • conteúdo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão epaper do jornal no dia anterior
  • conteúdos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0