Bancada de sócios

As declarações de Luís Filipe Vieira, Bruno de Carvalho e António Salvador e o papel de Pinto da Costa

1. Luís Filipe Vieira foi convincente na defesa das acusações que têm sido feitas ao longo dos últimos meses com origem nos emails na entrevista que deu à BTV? Vê fundamento nas denúncias que fez (os capangas) e no ‘ataque’ ao Sporting (nada vai ganhar e Jesus não fala com Bruno de Carvalho)?

2. Pinto da Costa está a sair como o grande vencedor deste clima de conflito que tem envolvido os três grandes?

3. Nos dias mais recentes, Bruno de Carvalho atacou Benfica, FC Porto, Sp. Braga, FPF, Instituto do Desporto (IPDJ), secretário de Estado, além de Paulo Pereira Cristóvão e também jornais. São ‘guerras’ a mais?

4. António Salvador, presidente do Sp. Braga, deu uma entrevista ao Record onde considera que no futebol português todos prestam vassalagem aos grandes. Tem razão?

RITA RATO (BENFICA)

A minha paixão pelo desporto

Caros leitores de Record: Peço a vossa compreensão para o facto de abster-me de responder às perguntas de hoje. Compreendo que o fenómeno desportivo também vive de polémicas entre dirigentes e instituições. A minha paixão pelo desporto (e futebol em particular) vive sobretudo pelo que acontece dentro de campo e da festa popular à sua volta...

Por mais que queira, não tenho como responder com seriedade às questões que me são colocadas, pelo que irei apenas fazer breves comentários.

1. Ser ou não ser convincente é um aspeto secundário em toda esta matéria, cuja importância implica que eu não me pronuncie com base em ‘feelings’. Não tenho forma de avaliar a pertinência na tal questão dos ‘capangas’. Desconheço o que o levou a fazer esse prognóstico em relação ao Sporting, muito menos quanto à última questão.

2. Não entendo como é que alguém, neste cenário (e contexto/momento da época), pode ser designado como vencedor, muito menos grande...

3. A minha resposta é sim. Mas já responderia o mesmo se essa mesma pergunta fosse feita há mais tempo.

4. "Todos" e "vassalagem" são palavras muito fortes. Não obstante, faço notar que o ‘problema’ começa com a nomenclatura "3 grandes" (que é universal e automaticamente aceite e repetida, por todos).


OSÓRIO DE CASTRO (FC PORTO)

Desviar atenções

1. Luís Filipe Vieira e o Benfica tentam desviar as atenções das fortes suspeitas de tentativa de manipulação de resultados. Os emails com origem no Benfica são bem claros – "temos os padres que queremos para as nossas missas". O resto é folclore. O problema não está em quem denuncia atos alegadamente ilícitos. O problema está em quem os pratica. Quanto aos capangas, terei que ler o relatório do delegado da Liga, onde, certamente, estará vertida a queixa do Benfica. Andam preocupados e confusos.

Um senhor

2. Não é por acaso que Jorge Nuno Pinto da Costa é considerado a nível mundial como o maior e mais galardoado presidente de todos os tempos. Mais uma vez demonstra com a sua atitude e a sua inteligência, uma postura de um verdadeiro senhor. Tem sido responsável, no seu comportamento, por não contribuir para acicatar guerras estéreis, ao contrário dos presidentes do Benfica e do Sporting. Como sempre, faz a diferença.

Muitas batalhas

3. São de facto batalhas a mais! Apesar de em muitos casos lhe assistir razão no que defende, o seu discurso perde eficácia, pois dispersa-se em muitos assuntos tratados ao mesmo tempo. Por exemplo, quanto ao IPDJ, não podia ser mais assertivo. Este órgão do Estado atua sempre de uma maneira parcial, protegendo sistematicamente o Benfica e conseguindo interditar o Estádio da Luz às escondidas, para que ninguém soubesse. O Tribunal Arbitral idem, com juízes também parciais, que pedem bilhetes ao clube do regime.

Benfica favorecido

4. Concordo com António Salvador. O futebol português gira muito à volta dos três grandes. No entanto, dos três há um que é manifestamente favorecido – o Benfica. Este clube consegue influenciar todos os órgãos do futebol. Na comunicação social também é manifesta a forma como os comentadores de vários canais de televisão tentam branquear o que se tem passado no futebol português. A Federação e a Liga já se deviam ter pronunciado sobre o assunto dos emails.

MIGUEL SALEMA GARÇÃO (SPORTING)

Para dentro do clube

1. A entrevista de Luís Filipe Vieira foi virada mais para dentro do clube ( sócios e adeptos ). Após a agitada AG, e no seguimento da novela emails, sentiu necessidade de falar à comunidade benfiquista. Aproveitou para atacar e responder a adversários, vincando uma posição de força que serve fundamentalmente aos seus adeptos. Foi estratégia pura de comunicação o momento e o conteúdo. O clima de guerrilha joga-se em vários tabuleiros e a comunicação assume um papel de capital importância.

FC Porto a beneficiar

2. Este clima de conflito vem claramente beneficiar o FC Porto que, numa senda de vitórias, vai focando as suas forças na equipa e nas competições em que está envolvido. Sabemos como Pinto da Costa é hábil no sentido de separar o importante do urgente, provocando desgaste nos adversários. O momento do FC Porto não era o melhor e, com os bons resultados da equipa de futebol, tem conseguido ultrapassar outros problemas estruturais. O clima triste e de guerrilha desvia o foco e a pressão.

Paz institucional

3. O Sporting Clube de Portugal precisa de paz institucional. Para o comum dos sócios e adeptos, como eu, o mais importante é o apoio constante a todas as equipas e todos os atletas que têm o privilégio de vestir aquela camisola. Como associado saberei avaliar a concretização do programa sufragado, a performance e resultados dos atuais órgão sociais na altura certa para isso.

Ambição

4. António Salvador tem como objetivo fazer crescer o seu clube. O trajeto realizado mostra grande ambição e chegou a uma fronteira de necessidade de ter que potenciar o SC Braga a uma dimensão que lhe permita, por exemplo, aumentar receitas. Posicionar o clube como quarto clube nacional é um enorme empurrão para a questão da dimensão.

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