A 7.ª vida do SCP
A reestruturação do Sporting é inteligente, opaca, inclui um perdão de dívida e evitou cenários radicais de recuperação ou insolvência. Agora, basta comparar com Portugal: o Sporting está intervencionado. Está sujeito a uma “troika”: BCP, BES e Álvaro Sobrinho.
A “troika” são os credores. O Passos Coelho da história é Bruno de Carvalho, a quem falta ainda um Vítor Gaspar, que há de ser apontado pelos bancos. Também o Sporting terá de cumprir limites impostos pelos credores, de custos, vendas e compras de jogadores, e de contas operacionais. Mas, ao contrário de Portugal, o plano do Sporting não tem data de saída. E desconhecem-se muitos detalhes, o que a transparência desaconselha, porque a SAD tem investidores e o clube tem associados. E porque os outros clubes têm direito a saber. Há um perdão de dívida bancária disfarçado neste processo. De quanto?
Os investidores angolanos (Álvaro Sobrinho e amigos) não injetam dinheiro, convertem dívida em capital. Essa dívida terá sido contraída em fevereiro, com Godinho, estava o Sporting desesperado para pagar salários. Sobrinho emprestou, contra garantias dos passes dos jogadores. E agora aceitou converter essa dívida em ações do Sporting, assumindo risco. Foi Sobrinho quem fez um favor ao Sporting, não o contrário.
Segue-se um investimento de quase 19 milhões de “históricos” do Sporting, encabeçados por José Maria Ricciardi e Sikander Sattar. Ironicamente, o “clube Stromp”, que esteve com Bettencourt e com Godinho, e que Bruno de Carvalho tanto criticara, é de novo aliado.
A fatura financeira cai. Fica a faltar o que sempre faltou nas reestruturações anteriores: liderança desportiva e boa gestão. Mas o clube pode agradecer mais esta oportunidade. Afinal, o leão é um felino. Como o gato, tem sete vidas. Esta é a sétima.
