A bola de cristal
Um exercício de futurologia inclui sempre uma forte possibilidade de sair errado. É por isso que as previsões económicas e meteorológicas se mostram muitas vezes falíveis. Por outro lado, uma sondagem não é, nem de perto nem de longe, sinónimo de ter acesso aos resultados definitivos (veja-se o exemplo das últimas eleições do Sporting). E também no futebol, neste domínio da adivinhação, não há tarefas fáceis.
No entanto, com as primeiras quatro jornadas da Liga já realizadas, podemos lançar um primeiro olhar sobre o que será provável, possível ou improvável que venha a acontecer durante a época.
É claro que, como se costuma dizer, “a procissão ainda vai no adro” e a maior parte das equipas ainda procura a sua melhor forma. Mas os primeiros cinco jogos do campeonato são uma espécie de candidatura à conquista do título. Fazendo uma analogia com o ciclismo, as partidas iniciais da Liga são quase que uma etapa de montanha de primeira categoria, na qual os corredores mais fracos começam a ficar para trás. Salvo raras exceções, é nesta fase que se efetua a seleção dos melhores.
No ano passado, o FC Porto de André Villas-Boas mostrou a importância de um bom arranque. Vencendo os jogos iniciais, com maior ou menor dificuldade, a equipa foi ganhando confiança, consistência de jogo e dinâmica de vitória. E à medida que foi ultrapassando adversário a adversário, a glória foi ficando mais perto.
Ganhar as cinco jornadas iniciais é um passo importante para quem quer ser campeão. E não será preciso ter uma bola de cristal para concluir que a equipa que conseguir vencer os primeiros 10 jogos no campeonato dificilmente deixará de cortar a meta no lugar cimeiro.
Pelo contrário, as equipas que perderem pontos no início, como aconteceu com o Sporting, dificilmente chegarão ao título. Deste modo, penso que a luta por esta liga se vai resumir apenas a dois colossos: Benfica e FC Porto. Já os leões estarão mais perto do Braga do que dos dois eternos rivais, que parecem estar melhor.
Quanto a águias e dragões, repito a mesma ideia: do meu ponto de vista, a equipa que chegar primeiro às 10 vitórias conquistará o troféu, embalada numa energia positiva. Como referi no início, a técnica da adivinhação tem as suas falhas e as coisas até podem vir a ser bem diferentes. Uma coisa é certa, o campeonato será mais equilibrado do que na época anterior e dificilmente veremos portistas e benfiquistas a perder pontos na mesma jornada.
Era desejável que outras equipas tivessem condições de se intrometer na luta pelo título, mas é quase garantido que ainda não será desta que um “outsider” conseguirá repetir o feito do Boavista em 2001. V. Guimarães, Nacional e Marítimo parecem ter condições, financeiras e humanas, para almejar um lugar europeu. Quanto às restantes equipas, o objetivo principal, infelizmente, não deverá passar da manutenção, sendo certo que três ou quatro clubes terão de lutar muito para evitar a descida.
A futurologia possui o valor que lhe quisermos atribuir, porém o mundo do futebol é pródigo em surpresas. Acima de qualquer vaticínio, o importante será podermos assistir a grandes espetáculos, boas arbitragens, pouca polémica e muitos golos.
