A bola e a banca
Os melhores do futebol português estão no banco: José Mourinho no Millennium BCP, Cristiano Ronaldo no Espírito Santo. Enquanto estes ganham fortunas pelas suas campanhas, outros (Jorge Jesus, Simão Sabrosa e Luís Figo) veem parte das suas poupanças “arder” no BPP.
A contratação de José Mourinho pelo BCP foi a “bomba” da semana no mercado publicitário. Os valores não oficialmente confirmados apontam para um milhão de euros por ano, o que fará de Mou o “top model” mais caro da publicidade portuguesa. O treinador português estava disponível e o Millennium agarrou a oportunidade – e fez bem. Este banco era, há cinco anos, a marca portuguesa mais valiosa e quer recuperar a sua reputação de liderança, começando pela autoestima de quem lá trabalha. António Ramalho, o administrador que contratou Mourinho, foi esse “olheiro” e já abriu concurso entre agências para lançar as novas campanhas.
O investimento na contratação de Mourinho é revelador das associação das marcas às estrelas do futebol – neste caso, a um líder. E sucede depois de uma relação já histórica do BES a Cristiano Ronaldo. Como Scolari chegou a fazer publicidade para a Caixa.
Mas há relações de futebolistas com bancos bem mais negras. Que o diga Luís Figo, que conseguiu fazer o “pleno” no BPN (por quem deu a cara em campanhas de publicidade) e no BPP, onde tinha dinheiro investido. A edição de hoje do Negócios revela a lista de credores do Banco Privado Português e lá estão: Jorge Jesus reclama 865 mil euros, dos quais a Comissão liquidatária só lhe atribui 350 mil; Figo reclama 1,2 milhões, de que deverá receber 560 mil euros; Simão Sabrosa pede 193 mil euros.
A banca e o futebol estão de braços dados e não apenas nos créditos e nas reestruturações financeiras. Também na publicidade. E nas aldrabices.
