A caminho de França

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A caminho de França
A caminho de França

No domingo, a Seleção portuguesa embarca numa viagem que, como todos esperamos, pode culminar com o apuramento para o Euro’2016, que se realizará em França. Mas para chegar a terras gaulesas há que começar, desde o primeiro jogo, a carimbar os pontos necessários, para que as tradicionais contas em cima do joelho não voltem a ser uma realidade. Numa fase final do Europeu que passará a contar com 24 participantes, em vez de 16, permitindo o apuramento direto dos dois primeiros classificados de cada grupo (e o acesso a um playoff para o 3.º classificado), esse facto não pode permitir qualquer tipo de relaxamento. Com adversários fortes como Dinamarca (com quem nos demos mal em apuramentos anteriores) e Sérvia (que possui grandes talentos individuais), Portugal terá de mostrar em campo que é superior e está “proibido” de ceder pontos com Albânia e Arménia, as equipas teoricamente mais fracas do Grupo I.

Por isso mesmo, uma entrada a ganhar frente à Albânia é essencial. Num grupo que apenas terá 8 jogos, qualquer deslize pode assumir contornos decisivos, ainda mais porque esta partida antecede uma viagem à Dinamarca no próximo mês, muito possivelmente o jogo mais complicado que vamos encontrar nesta caminhada. Albânia promete dificultar a tarefa portuguesa. Comandada pelo italiano Gianni de Biasi, que já passou por equipas como Torino, Udinese e os espanhóis do Levante, é previsível que os albaneses apostem numa estratégia defensiva, com o intuito de retardar ao máximo os golos portugueses. E sem o capitão Cristiano Ronaldo em campo, Portugal terá de encontrar outras armas.

Depois de um Mundial pouco memorável para os portugueses, a Seleção parte com o objetivo de mostrar outra cara e que os acontecimentos recentes não passaram de um acidente de percurso. É natural que o selecionador comece a introduzir caras novas no grupo, preparando assim a base de atletas com que vai trabalhar no próximo biénio.

E após a incompetência reconhecida no Mundial, e a identificação de (alguns) culpados, está em marcha um projeto de renovação da equipa que, segundo os responsáveis federativos, não será fácil porque a formação em Portugal falhou “nos últimos 8 anos”... Mesmo falhando na formação, em anos recentes, conseguimos ter uma fornada vice-campeã do Mundo de sub-20 e outra vice-campeã europeia de sub-19. Será que alguns destes jogadores não darão garantias para uma renovação sustentável da Seleção principal?

É certo que os principais clubes portugueses não têm ajudado, já que possuem poucos atletas nacionais nas suas principais fileiras. Mas se houver qualidade para trabalhar e evoluir, mesmo que os jogadores representem equipas menores, há que lhes dar a oportunidade de crescer. Rúben Vezo, Pedro Tiba e Ricardo Horta, que na época passada estavam ao serviço do V. Setúbal (mérito para José Mota, que os descobriu e apostou neles), personificam esta nova filosofia de trabalho que Paulo Bento parece querer adotar e pode abrir caminho a outras apostas.

O argumento de que Portugal tem uma base de recrutamento pequena é uma realidade, mas não colhe por completo. Enquanto país do futebol, sempre fomos capazes de formar talentos e lançar jogadores de qualidade. Vão sempre surgir bons jogadores e o jovem Rúben Neves é apenas o exemplo mais flagrante. Outro exemplo, o Uruguai, país com cerca de 3 milhões de habitantes, com um terço da população portuguesa, tem uma das melhores seleções mundiais há vários anos…

O CRAQUE

Uma boa alternativa

Rúben Vezo foi uma das novidades na lista de convocados de Paulo Bento. Perante a concorrência de nomes como o nosso conhecido Otamendi e Mustafi (campeão mundial pela Alemanha), o jovem central português foi aposta no onze titular de Nuno Espírito Santo nos primeiros dois jogos do Valencia na liga espanhola. Está por isso num bom momento e poderá ser uma das surpresas para esta campanha de apuramento para o Euro’2016. Uma boa opção para uma posição onde, por vezes, a falta de opções é um problema.

A JOGADA

Tendência do mercado

Por força do fair play financeiro da UEFA, que impede os clubes de gastarem mais do que as próprias receitas, verificou-se uma tendência de mercado que tenta tornear a questão: a contratação por empréstimo. Em Portugal, o FC Porto foi quem mais recorreu a esta fórmula (Casemiro, Tello e Óliver, por exemplo), mas Benfica (Sílvio) e Sporting (Nani) também o fizeram. E lá fora, duas das grandes movimentações do defeso surgiram nestes moldes com as idas de Chicharito para o Real Madrid e de Falcão para o Man. United. Um negócio que passará a ser mais frequente.

A DÚVIDA

E agora Leonardo?

A ida de Leonardo Jardim para o Monaco gerou fortes expectativas. Depois da excelente época ao serviço do Sporting, o técnico partiu para um projeto ambicioso, marcado por grandes investimentos que transformaram os monegascos numa grande equipa europeia. No entanto, tudo mudou. As saídas de Abidal, Riviére, Obbadi, James Rodríguez e Falcão, cinco titulares da época passada, fragilizaram a equipa e os maus resultados iniciais agravaram a situação. Até os adeptos do clube pedem o dinheiro de volta do lugar anual, defraudados com o desinvestimento. Como irá lidar Leonardo Jardim com a situação?

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