A crise da Seleção
1 O inimaginável aconteceu. Portugal somou apenas 1 ponto nos dois últimos jogos de qualificação e ficou a depender de terceiros para obter o primeiro lugar do grupo, o único que permite o apuramento direto para o Mundial do Brasil. Depois da derrota na Rússia, a Seleção Nacional deixou-se surpreender em casa pela mesma Irlanda do Norte que já empatara em casa com o Luxemburgo. Faltou discernimento, ritmo, vontade, mas também uma segunda linha de qualidade, que disfarçasse as ausências de Coentrão e Meireles. Portugal já não tem muitos jogadores de classe internacional, ficou uma vez mais provado.
2 Doze dias depois do despedimento de Sá Pinto, o Sporting continua sem treinador principal. O interregno nas provas nacionais poderia ter servido para o novo técnico fazer uma espécie de minipré-época e começar a inteirar-se das virtudes e defeitos da equipa. Sendo estrangeiro, como prematuramente ficou estabelecido, teria também alguns dias para tomar contacto com Portugal e, através de vídeo ou outros meios à disposição, conhecer também algo mais da liga portuguesa e do adversários que se avizinham. Estranhamente, tal não aconteceu. Ou porque os dirigentes não se entendem ou porque temem outro erro de casting, o Sporting continua como a 5 de outubro, altura em que a saída de Sá Pinto foi consumada. O tempo passa de forma inexorável, a solução tarda e arrisca-se a não ser a ideal. Talvez fosse melhor apostar tudo em Oceano, que bem conhece a casa, para que não chegue a Alvalade mais um curioso que faça cair o pouco que permanece de pé. É que os grandes treinadores europeus estão empregados e, nesta fase, a nata das natas está vedada ao Sporting.
3 A campanha eleitoral no Benfica começou em clima de crispação e o tom ameaça manter-se até à noite do dia 26. Contrariamente a outros elementos do movimento Benfica Vencer Vencer, Rui Rangel não parece ter ido a jogo em busca de protagonismo nem de um cargo na lista potencialmente vencedora. Vai dar pelo menos muito trabalho a Luís Filipe Vieira, que pode orgulhar-se da recuperação da credibilidade do clube mas de pouco mais do que isso.
4 O longo bocejo dos jogos das seleções nacionais terminou e no próximo fim-de-semana regressam os campeonatos “a sério”. O português, não. Os grandes têm o frete da Taça, enquanto os pequenos fazem a festa. Em termos mediáticos, teremos já neste sábado um empolgante Tottenham-Chelsea com André Villas-Boas a defrontar o clube pelo qual foi campeão europeu, título que também lhe pertence mas que o treinador rejeita por ter sido despedido antes de terminar a campanha.
