A derrota "vitoriosa" de Camacho

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O Benfica foi afastado da Taça da Liga. Em condições normais, até porque se tratou de uma eliminatória a duas mãos, o assunto seria suficiente para provocar algum azedume ao técnico encarnado. Mas, para surpresa geral (ou talvez não), Camacho parecia tudo menos desalentado quando, no final do embate de Setúbal, falou no “flash interview”. O homem estava era aliviado...

Sejamos realistas: o treinador das águias nunca esteve minimamente preocupado com a Carlsberg Cup, competição que não vale presença nas competições europeias e que, monetariamente, só chama a atenção dos emblemas menos cotados. Para os três grandes, a presença num qualquer torneio internacional produz um encaixe mais significativo. Foi por isso que o FC Porto também deu de avanço no duelo com o Fátima. E não fora a súbita crise de resultados que “mexeu” com o estatuto de Paulo Bento em Alvalade e também o Sporting, muito provavelmente, já tinha dito adeus ao troféu cervejeiro. Só por isso é que, na segunda mão da eliminatória com o Fátima, o técnico escalou a melhor equipa.

A forma como Camacho construiu o onze para o jogo com o Estrela da Amadora, na estreia do Benfica na prova, demonstrou, desde logo, que a sua ideia era sair depressa da competição. Ser eliminado equivale a poder realizar um maior número de treinos, evitar viagens, gerir melhor o esforço das pedras influentes. Ao contrário do que é bonito dizer, Camacho não deu oportunidades a jogadores menos “rodados”. Fazer isso é juntar 3 ou 4 elementos pouco utilizados com 7 ou 8 titulares. O que ele fez foi diferente. Chamou suplentes e suplentes dos suplentes. O que não estava nas suas previsões era o aparecimento de uma grande penalidade inexistente que, já todos sabem, alterou o rumo da partida.

Com o Vitória de Setúbal, Camacho repetiu a “táctica”. E ia perdendo logo em casa. Mas, mais uma vez, Adu estragou-lhe os planos. E, no Bonfim, o jovem norte-americano esteve quase a fazer do mesmo. O penálti apontado no fecho da primeira parte parecia ser suficiente para os sadinos ficarem pelo caminho.

Só que, na etapa complementar, Camacho jogou todos os seus “trunfos”. Numa equipa recheada de futebolistas de valor duvidoso (Zoro, Miguelito e Bergessio, por exemplo), o treinador conseguiu a proeza de substituir Rodriguez (um dos dois verdadeiros titulares no onze, juntamente com Luisão), Di Maria (é uma das mais-valias, independentemente de nos últimos tempos ter passado a alternar a titularidade com o banco) e ainda Adu, este depois de o Setúbal ter feito o 2-1! E, repare-se, do banco não saltaram Maxi Pereira, Nuno Assis ou mesmo Mantorras. Camacho preferiu o “desconhecido” Andrés Dias e os inexperientes Coentrão e Dabao. Podia ter disfarçado um bocadinho melhor...

Para além de ser ter desfeito de uma prova que só atrapalhava a gestão que pretende fazer do grupo, Camacho ainda conseguiu outras “vitórias”: provou aos dirigentes que precisa de reforços na reabertura do mercado e mostrou a vários dos atletas menos utilizados que o seu futuro, a curto prazo, tem de passar por outras paragens.

Enquanto a Taça da Liga não valer uma presença na Taça UEFA, estaremos condenados a coisas deste estilo, com os grandes a “descartarem-se”, o público a recusar-se a pagar pare assistir aos embates “in loco” e, claro, os dinheirinhos de televisão e patrocinadores a fugir.

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