A estrela hedonista

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A estrela hedonista
A estrela hedonista

Como se sentirão os adeptos do Real Madrid com o diário de férias de Cristiano Ronaldo? Ele mergulha, ele dança, ele até urina, em terras de França. 
Um craque deve respeitar o luto dos que, com a sua paixão, lhe pagam a reforma ainda jovem. Mas Ronaldo, como grande mercenário, não tem estados de alma. Se o golo não é dele, não exulta. Se o passe sai para trás, cobra. Se alguém promete futuro, ele esmaga.

Que sucesso teria Neymar se, na sua chegada à Europa, tivesse a sombra de Ronaldo, no lugar do brilho enriquecedor e fértil de Messi. Sim, sou português, devo a Ronaldo a presença no Mundial do Brasil. Todos devemos. Aqueles golos frente à Suécia valem um indulto eterno para todas as faltas de senso da enorme estrela. Mas, chegámos ao Mundial, e uma vez lá, lá voltou o fado dos desgraçadinhos, que nunca vão além do cabo Bojador. Lá voltou a falta de liderança na equipa, que também em Madrid faz vítimas. Lá sofremos a desdita de um povo em lá menor. Lá mostrámos aos brasileiros por que não merecemos ganhar, nem sequer nos negócios - veja-se o caso Vivo, Oi, adeus-PT.

Os mergulhos de Ronaldo no Mediterrâneo são facas espetadas nos orgulhosos imperialistas de Madrid, valha-nos isso. Os imperiais madrilenos, em jejum de títulos, estão ainda na digestão dos últimos golpes de génio de Messi, que lhe dão a Taça do Rei (sublime ironia catalã) e prometem mais uma Liga dos Campeões.

Já Ronaldo soma namoradas e golos, mas o seu hedonismo só o satisfaz a ele.

P.S.: Primeiro Leonardo Jardim, agora Marco Silva. Bruno de Carvalho tem mostrado tanto jeito a escolher treinadores como a desperdiçá-los.

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