A Europa e Barcelos
1 - A última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões não podia ter sido melhor para as cores nacionais. O FC Porto recebeu e venceu o Besiktas – confirmando o primeiro lugar do seu agrupamento -; o Sporting (mesmo procedendo a algumas alterações na equipa habitual) despachou o Dínamo de Kiev e, já antes, o Benfica confirmara na Ucrânia que a derrota caseira com o Shakhtar Donetks podia ter sido perfeitamente evitada. Em suma, três jogos e outras tantas vitórias, o que equivale a dinheiro fresco nos cofres dos emblemas em causa e a um fortalecimento das contas de Portugal no “ranking” da UEFA.
Mas, se é verdade que devemos elogiar o feito dos clubes lusos, também me parece obrigatório realçar que esta atípica jornada de sucesso internacional confirmou o óbvio: o problema do futebol português não está nos duelos com turcos ou ucranianos. Seja nas provas de clubes ou nas de selecções, onde Portugal falha, quase sempre, é diante dos “gigantes”. Derrubar os países da chamada segunda linha há muito que deixou de ser grande dor de cabeça. Complicadíssimo é dobrar espanhóis, ingleses ou italianos. Acontece de vez a vez, é certo, mas os números não mentem. Contra esses, contra o seu poderio económico, contra o peso da história, tudo fica mais difícil. É como derrotar a selecção de França. Temos sempre a ideia que está para acontecer e, no final, vemos os gauleses a festejar...
Mas, regressemos ao lado positivo. Portugal vai ter uma equipa nos oitavos-de-final da “Champions” e, muito provavelmente, três conjuntos na próxima fase da Taça UEFA (acredito no apuramento do Sp. Braga), sendo que Benfica e Sporting podem e devem sonhar com uma prestação significativa.
2 – Parece que anda muita gente nervosa com as últimas notícias relativas à célebre saga que ficou conhecida como “caso Mateus”. Pelos vistos, o Gil Vicente talvez seja o último a rir numa “caldeirada” tipicamente nacional que, para mim, sempre cheirou mal.
Não sei se o clube de Barcelos irá conseguir uma promoção na secretaria, mas creio que esse cenário é cada vez mais possível, pois será a única forma dos iluminados do futebol cá do burgo atenuarem as consequências de uma decisão que, desde o início, me parece completamente errada e discriminatória. Gostava de ver se teria acontecido o mesmo caso o internacional angolano tivesse sido inscrito por Benfica, Sporting ou FC Porto...
Bom, tendo em conta que os clubes já perceberam que com menos clubes na Liga nada muda a não ser o aparecimento de um inexplicável “buraco competitivo” durante algumas semanas (o que só contribuiu para os dirigentes terem mais dificuldades para honrar os compromissos com os respectivos profissionais), prevejo para breve o anúncio de um alargamento. Talvez assim se faça justiça ao Gil (se desceu na secretaria não vem nenhum mal ao Mundo que suba também por via administrativa) e, ao mesmo tempo, se dê a mão a uns clubes com muitos anos de escalão principal mas que, desportivamente, parecem a caminho da descida.
E não temos já todos saudades de um alargamento tipicamente “à portuguesa”?
