A fénix renascida
Nas últimas duas épocas, o Sporting bateu no fundo, tendo ficado, respetivamente, a 28 e a 36 pontos de distância dos campeões Benfica (2009/2010) e FC Porto (2010/2011). Foi muito pouco para os pergaminhos leoninos. Porém, esta temporada as coisas parecem estar a mudar. Após um arranque periclitante, o Sporting de Domingos Paciência levantou-se e promete intrometer-se nas contas do título.
Em 2010 e 2011, os leões conquistaram, curiosamente, os mesmos 48 pontos no campeonato, a marca mais baixa desde que se passou para o sistema de 3 pontos por vitória, em 1995/96. Por ironia do destino, coube ao melhor marcador dessa longínqua época de 1996, com 25 golos, o agora técnico Domingos Paciência, a missão de voltar a reerguer o clube de Alvalade.
Com uma direção recém-eleita e a entrada de vários jogadores para o plantel, Domingos teve de preparar uma equipa quase de raiz. A cobrança foi imediata e o mero vislumbre de alguns resultados negativos no arranque criaram instabilidade. Mas a reviravolta do 3-2, a 15 minutos do fim, em Paços de Ferreira, na 4.ª jornada, embalou o Sporting para uma série de 10 vitórias consecutivas, em que os leões mostraram bom futebol, uma equipa cada vez mais entrosada, alegre e confiante.
Esta equipa leonina conseguiu reconciliar-se com a massa associativa, que há muito se mantinha arredada de Alvalade. E ao contrário de outras épocas, os leões têm um naipe de 15/16 jogadores para dar resposta às exigências de uma época longa. Entre os três grandes, o Sporting é a única equipa em que todos os jogadores do onze titular são internacionais A pelo seu país, um dado relativo, mas de registo.
Na baliza, Rui Patrício é dono e senhor do lugar. Um Sporting em alta subiu os índices de confiança do guardião de jornada para jornada. Por seu lado, nas laterais, João Pereira é um valor seguro na direita e Insúa trouxe mais estabilidade defensiva ao corredor esquerdo. Já os centrais Rodríguez e Onyewu dão mais robustez e altura à defesa.
Para o centro veio um dos melhores reforços da Liga: Rinaudo. É peça vital do meio-campo, assumindo a recuperação de bolas e a primeira fase da construção. Há muito que o Sporting não tinha um jogador com estas características e a recente lesão foi uma infelicidade. Schaars e Elias trazem também outro perfume ao jogo sportinguista. O holandês é um distribuidor de bolas, enquanto que o brasileiro é um carregador de piano, estando em todo o lado. E há ainda a magia de Matías Fernández...
Se o pendor ofensivo de Diego Capel não é uma surpresa (o espanhol é uma das estrelas da Liga), surpreendente tem sido a ascensão de Carrillo, um diamante em bruto. Sem medo de partir para cima do adversário, o peruano tem na velocidade a sua arma e as suas galgadas são impressionantes. O avançado Van Wolfswinkel é outra pérola. Tem faro de golo e instinto de matador. É a referência atacante da equipa.
Há que enaltecer o trabalho na composição do plantel do Sporting e o modo como Domingos Paciência o está a rentabilizar. Está implementada uma base que, complementada com os recursos provenientes da excelente formação dos leões, poderá trazer um futuro risonho para os lados de Alvalade. A equipa está em crescendo e os próximos jogos contra Braga e Benfica vão ajudar a perceber até onde pode ir. Uma frase minha do passado parece fazer agora tão sentido como antes: “Por cada leão que cair outro se levantará.”
