A fonte da Lusa

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A procura de responsabilidades no Sporting corresponderia à realização de muitas maratonas e, por isso, atribuir a Domingos Paciência, corredor de 50 metros, o ónus de décadas de exasperação e incompetências múltiplas é, até, ridículo. Aceite-se que Domingos foi vítima de si próprio e das suas limitações, mas foi feito vítima exactamente pelo mesmo sistema que "linchou" os últimos treinadores que passaram por Alvalade.

Por isso é tão importante o processo da escolha de um treinador. Quando a "estrutura do futebol" não é sólida e não assimila a figura do técnico, seja ele quem for, então tem de ser o treinador a dominar a estrutura. O Sporting (ainda) não tem estrutura e não teve, nos últimos tempos, um treinador que dominasse a estrutura ou as suas insuficiências.

Está em exame afinal a capacidade de liderança do próprio Godinho Lopes e os próximos meses vão ser decisivos: ou ganha algum balanço ou cairá como os outros.

Um presidente, seja ele qual for, tem de tomar decisões. Essas decisões podem ser condicionadas por outras personalidades e factores. Godinho Lopes percebeu que Domingos Paciência não era, afinal, o "treinador-salvador" à medida das exigências do Sporting. Num momento em que o seu objectivo era alcançar a presidência, confiou em Luís Duque e Carlos Freitas. A verdade, porém, é que, se Domingos falhou, isso também é válido para o administrador da SAD e para o "gestor de activos". Por isso, Godinho Lopes não foi tão fundo quanto deveria ter ido. A situação do Sporting não lho permite. A responsabilização do treinador é, por isso, um acto incompleto de "justiça". A verdade, porém, é que o dolo é antigo e tomou conta do Sporting desde que se criaram condições para viabilizar o destrutivo "projecto Roquette", que deixou muitas sequelas em Alvalade mas também raízes não devidamente extirpadas.

OSporting não aguenta mais sangrias ou hemorragias e foi pelo lado possível e mais fácil – abdicar da equipa técnica, com a convicção de que ela não foi capaz nem de dar resposta à questões que lhe foram sendo colocadas nem seria capaz de o fazer nos próximos tempos. Isso não invalida, porém, que se aceite, sem crítica, o expediente utilizado junto da Lusa, com o óbvio sentido de se utilizar um alegado contacto entre Domingos Paciência e o FC Porto para fundamentar a "jogada de antecipação" (com "justa causa") do Sporting. Muito bem esteve Luís Duque ao "assegurar", na prática, através das declarações feitas à partida para Varsóvia, os pagamentos devidos ao treinador despedido, porque da mesma forma que é necessária coragem para "tomar decisões", também é preciso dignidade para se honrar os compromissos assumidos. A fonte envenenada da Lusa suscita várias questões, uma das quais tem a ver com o papel dos jornalistas: por um lado, a sua manipulação e instrumentalização; por outro, a obrigação que devem ter em denunciar as fontes, sempre que se comprovar a intencionalidade de "plantar" notícias, mesmo quando elas são falsas ou enganosas.

Afonte da Lusa entregou a mensagem do mensageiro, sem respeito afinal por todos nós e sem se deter nos efeitos destruidores da imagem de Domingos Paciência, do FC Porto e do próprio Sporting. Neste caso, a Lusa, que é uma agência nacional paga com o dinheiro dos portugueses, não deve ignorar a "baixeza de processos" e esperar que o assunto se resolva nos tribunais. Não pode valer tudo – e, para o futuro, essa fonte deve ser desvendada.

Aos dirigentes desportivos também não chegam os canais de informação dos clubes. Precisam de outros canais e são convocados para outros "ais" em conselhos editoriais. Isto está a ficar bonito!

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