A fuga de Fiúza
A teimosia é um defeito complicado. Que o digam os jogadores do Gil Vicente, não só os do plantel principal, mas também (ou sobretudo) os das camadas de jovens que por causa de Fiúza viram impedidos de jogar futebol.
Fiúza colocou hoje o lugar à disposição, dizendo que foi por causa de declarações de João Magalhães, que não o poupou por estar a levar o clube de Barcelos à ruína. A decisão não me espanta porque quando não há muitos mais episódios da novela para mostrar, a saída antes da última cena é sempre o acto mais esperado.
Fiúza esteve mal aconselhado neste processo, quis ser herói e agora, percebendo que até os que mais defenderam a teimosia de levar o Caso Mateus até próximo da palhaçada já pensam de outra maneira, vai-se embora, recorrendo a argumentos com tão pouco sentido como os que utilizou para defender a permanência na liga, quando tinha plena consciência do incumprimento dos regulamentos.
Quando não existem argumentos válidos, sobra a propaganda, mas como a propaganda tem um período de validade curto, a verdade vem com naturalidade ao de cima. Fiúza levou o Gil de um clube respeitável ao descalabro. No mínimo, o que se pedia é que assumisse as responsabilidades até às últimas consequências, contribuindo para tentar resolver a situação dos jogadores com o respeito devido porque não se brinca com a vida das pessoas.
É por causa de dirigentes com este perfil que o futebol português não passa da cepa torta. O triste é que quase sempre entram de rompante e saem de mansinho...
