A guerra do Guinness
Em semana sem futebol de primeira linha (nem Liga, nem competições europeias), foi com toda a pompa e circunstância que o Benfica anunciou ter passado a ser o clube com mais sócios pagantes a nível mundial, apresentando um registo de pouco mais de 160 mil associados.
O facto vale o que vale. Não representa título nenhum, nem provocou uma deslocação momentânea de adeptos à Luz para comemorar a distinção. Aliás, para um clube que tem alguns milhões de simpatizantes, o total de associados nem parece ser nada de extraordinário. Ainda assim, se existe uma contabilidade sobre o assunto, creio que é melhor ser o líder do "ranking" do que aparecer numa posição subalterna.
Por outras palavras, penso que os responsáveis benfiquistas fizeram bem em exibir este seu recorde, essencialmente porque tal anúncio fez com que o nome do clube fosse falado um pouco por todo o Mundo. Desportivamente, repito, esta coisa do Guinness não significa nada, mas do ponto de vista do "marketing" e da publicidade da marca Benfica tem, garantidamente, muita validade.
Uma larga maioria de adeptos dos rivais Sporting e FC Porto não tardaram a aparecer para desvalorizar o recorde dos encarnados (basta ver os comentários neste site). Já esperava que fosse assim, da mesma forma que muitos apaniguados benfiquistas fariam o mesmo se o feito pertencesse a leões ou dragões. Isto sucede sempre, já faz parte da cultura de "clubite aguda" do nosso povo. Mas, pior é ver pessoas com responsabilidades a entrar neste jogo triste, desnecessário e, convenhamos, algo bacoco.
Menezes Rodrigues, vice-presidente do Sporting, aproveitou uma festa do seu clube com 300 pessoas em Évora, para "disparar" contra o rival da Luz. E entre outras declarações, disse o seguinte: "os recordes que nos motivam são os que já temos, da transparência, da seriedade, da honestidade, da inovação. É um clube com seriedade nos processos e com a transparência da verdade desportiva nas competições onde se envolve".
Sempre ao ataque, o dirigente questionou ainda a verdade da contabilidade dos associados do Benfica, destacou o trabalho do Sporting na formação, os muitos títulos conquistados e nem se esqueceu de falar das medalhas olímpicas.
Menezes Rodrigues, como qualquer pessoa num país democrático, tem o direito de falar sobre o que quiser e de opinar à sua maneira, mas terá ele a certeza de ter tido uma intervenção feliz? Duvido... Que raio tem o Sporting, ou os seus dirigentes, a ver com a entrada do Benfica no célebre livro dos recordes? E se isso é tão insignificante, porque terá gasto tanto tempo de antena numa festa do clube de Alvalade a falar do rival? Uma última questão: destacar a honestidade leonina nesta abordagem é a mesma coisa que acusar os outros de falta de seriedade. Se sabe de alguma coisa grave tem o direito e o dever de a denunciar. Como não o fez, passou a ser igual a tantos outros, do seu clube e não só. Insinuou... mas esqueceu-se de nos esclarecer. É pena!
