A hora de Postiga

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Formado nos escalões de formação do FC Porto - onde sempre revelou dotes futebolísticos acima da média -, nunca percebi a razão porque Hélder Postiga sempre foi um "mal amado" no clube das Antas.

Milhares de associados e adeptos nortenhos passaram muito tempo a questionar a valia deste ponta de lança que, quer se queira ou não, faz aquilo que lhe pedem: marca golos. Tantos ou tão poucos que, de momento, já chegam para ser o melhor marcador da Liga.

Os remates certeiros de Postiga têm sido fulcrais para o FC Porto ocupar a liderança do Nacional, bem como para continuar na luta pela qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Como é óbvio, neste momento serão poucos os apaniguados azuis e brancos que continuam a "torcer o nariz" a Postiga. E mesmo os mais difíceis de convencer terão pouca vontade em assumir publicamente que não gostam do rapaz.

Neste momento particular tenho de recordar Co Adriaanse. Não porque tenha muitas saudades das suas análises sempre muito seguras, como se se tratasse de um professor universitário a falar para meninos da primária. Lembro-me do holandês essencialmente porque ele saiu do Dragão a gritar a plenos pulmões que o FC Porto só conseguiria aliar boas exibições a resultados positivos quando Pinto da Costa desse o braço a torcer e resolvesse comprar um ponta de lança de créditos firmados.

Conforme sugeri na altura, o holandês estava a falar por falar. É que se é verdade que os portitsas só teriam a ganhar se pudessem contar com um dianteiro tipo Van Nistelrooy, Rooney, Drogba ou Eto'o, a verdade é que bastava ter Hélder Postiga no plantel para que os problemas diminuissem. Rui Barros também pensou assim e não perdeu tempo a "repescar" o internacional português. Agora, Jesualdo parece não abdicar dele. E faz bem.

Nesta hora de consagração de Postiga não esqueço também aqueles que, ainda recentemente, defendiam com todas as forças a naturalização de Liedson. "Esta é a única solução para se conseguir ultrapassar o adeus de Pauleta à Selecção", clamavam. Pois bem, sem qualquer falta de respeito pelo avançado leonino (que era, é e continuará a ser um avançado de qualidade), continuo a considerar que a equipa de todos nós está bem servida com Nuno Gomes e Postiga. Basta ver a qualidade das exibições dos dois, bem como a contabilidade de golos que ambos apresentam nestes primeiros meses de temporada.

Repito o que disse há uns meses: o futebolista português (bem como os profissionais das restantes modalidades) precisa é que apostem nele. As naturalizações a granel não resolvem nenhum problema de fundo. Quanto muito... escondem-nos algum tempo!

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