Linha de fundo

André Veríssimo
André Veríssimo Diretor do Negócios

A importância de ser Champion

Financeiramente falando, os jogos da pré-eliminatória da Liga dos Campeões serão os mais importante da época para o Benfica. Então em causa, só à cabeça, 42,95 milhões de euros.

O número gordo resulta dos novos prémios introduzidos a partir desta época pela UEFA por pressão dos maiores clubes da Europa, que ameaçavam criar uma liga alternativa e fechada. Entrar para a fase de grupos passa a valer 15,25 milhões diretos, mais 2,55 milhões do que na época passada, e os empates e vitórias dão também direito a cheque mais chorudo.

A grande alteração é a introdução de um bónus que cresce em função do lugar do clube no ranking, calculado a partir dos resultados conseguidos nos últimos 10 anos. É assim que o FC Porto receberá um total de 44,05 milhões de euros e o Benfica joga para pôr a mão nos tais 42,95 milhões. O Real Madrid é o que mais recebe: 50,7 milhões.

É questionável se um sistema que favorece uma casta de clubes cada vez com mais recursos financeiros deixando os restantes cada vez mais longe é o que interessa ao desenvolvimento do futebol, mas esse é um tema para outro artigo.

É esta a pressão com que a equipa de Rui Vitória vai entrar em campo. Coisa pouca, como se verá...

Há duas rubricas nas receitas das SAD que todos os anos fazem a diferença: vendas de direitos desportivos e competições europeias. As receitas de direitos televisivos têm também um peso relevante, mas são mais estáveis. A primazia vai para os passes de jogadores. Somando as últimas três épocas (terminadas em 2016/2017), pesou 49% nos rendimentos do FC Porto, 44% nos do Benfica e 40% nos do Sporting.

As provas da UEFA renderam nas mesmas três épocas 81 milhões ao Benfica (12,7% das receitas), 79 milhões ao FC Porto (14,9%) e 35 milhões ao Sporting (10,1%). Os dragões têm já assegurado um encaixe recorde esta época. O Benfica joga hoje o primeiro jogo de uma série de quatro que lhe podem garantir, num só ano, metade do que recebeu nos últimos três.

A dependência destes itens faz com que não entrar na Champions obrigue à venda de jogadores para compensar a falta de encaixe, depauperando competitivamente a equipa. Entrar na prova, pelo contrário, pode abrir a porta a mais reforços.

A linha de fundo marca um limite num campo de jogo. Nas contas das empresas, a 'bottom line' é o resultado. Mesmo não tendo um limite, há uma linha que importa não passar: a que separa lucros de prejuízos. Seja no futebol, seja noutra modalidade, é nessa linha que se joga a sustentabilidade, nem sempre um preceito levado suficientemente a sério.

As receitas das provas da UEFA têm sido e serão cada vez mais decisivas para que os clubes possam ter resultados operacionais positivos, sem estarem tão dependentes da venda de jogadores. Quanto mais altos os prémios, mais assim será. Financeiramente, nunca foi tão importante jogar para ser campeão. É verdade que há ainda a Liga Europa, mas não é a mesma coisa.

Autor: André Veríssimo, diretor do Negócios

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