A importância do clássico
Com tantas partidas por disputar, poucos poderiam pensar que a vitória do Benfica em casa do FC Porto, na primeira volta da temporada anterior, se tornasse o jogo-chave do último campeonato. Este ano o clássico surge ainda mais cedo, à quinta jornada, mas a importância do desafio é enorme. Em primeiro lugar, porque nenhum dos lados quer perder um duelo sempre escaldante para o grande rival dos últimos anos. Além disso, numa fase em que as equipas ainda estão em construção e a consolidar princípios de jogo, uma vitória e a possibilidade de ganhar vantagem na classificação seria o tónico ideal para encarar os próximos jogos com maior confiança.
Não é uma ciência exata, no entanto, os primeiros dez jogos do campeonato costumam ser um indicador de qual a equipa melhor posicionada para ganhar o título. É o período em que, devido aos acertos e afinações na composição das equipas, a máquina se encontra mais suscetível de falhar. E quem aproveita os deslizes dos adversários ganha uma margem importante para gerir nos jogos seguintes.
No Estádio do Dragão teremos duas equipas ainda à procura da sua melhor face, mas que já começam a revelar as qualidades que previamente lhes eram reconhecidas. Como disse Julen Lopetegui, o FC Porto tem uma equipa em reconstrução. Com tantas entradas e saídas, só o tempo trará à equipa o devido entrosamento para começar a render. Não é por falta de matéria-prima que o treinador se pode queixar, só que uma equipa não se faz de um dia para o outro e a margem de erro é escassa.
No decorrer da presente temporada os portistas têm crescido de jogo para jogo. Contudo, nota-se a alguma falta de criatividade no miolo do terreno. A filosofia da equipa mantém a circulação de bola e a dinâmica das faixas laterais como fios condutores, com o avançado a ser um elo de ligação na construção e na finalização. Aboubakar tem desempenhado muito bem esse papel e tudo aponta para uma excelente época do camaronês.
O FC Porto tem mostrado consistência defensiva e maturidade competitiva. A forma como a equipa virou o resultado em Kiev, sem se desorientar e controlando o jogo em grande parte do tempo, mostra uma evolução em relação ao ano passado, no qual a equipa raramente soube lidar com situações de desvantagem.
Quanto ao Benfica, a paragem do campeonato, devido aos compromissos das seleções, foi o melhor que podia ter acontecido às águias. Depois de uma pré-época desastrosa, do ponto de vista desportivo, em que o treinador não conseguiu fazer a preparação que tinha planeado, Rui Vitória teve finalmente uma minipré-época em setembro para recuperar o tempo perdido.
E os resultados estão à vista. Uma equipa mais solta, com um futebol rápido e dinâmico, que tenta fazer circular a bola e que tem no talento (e classe) de Jonas e Gaitán duas (enormes) soluções para desbloquear o caminho das vitórias. Os últimos jogos do Benfica trouxeram mais esperança aos adeptos encarnados. Mas ainda há muito trabalho por fazer na Luz. As laterais parecem evidenciar alguma fragilidade e a falta de um elemento no meio-campo que faça a ligação aos avançados é uma questão que parece não estar resolvida. Além disso, falta ver como responde o Benfica de Rui Vitória perante um adversário de maior calibre como o FC Porto. É que desde as águias venceram o FC Porto no Dragão, os portistas já vão numa série de 16 vitórias consecutivas em casa. Porém, num clássico destes tudo pode acontecer.
O craque
O melhor reforço
É daqueles jogadores que, a qualquer momento, são capazes de tirar um coelho da cartola e fazer uma jogada decisiva, colocando-se em situação de finalizar ou assistir os companheiros. Dono de uma leitura de jogo e técnica acima da média, bom toque e elegância no transporte da bola, Gaitán é cada vez mais o pensador do futebol encarnado. O jogador a quem os colegas mais recorrem. A saída do argentino foi dada como garantida no defeso, mas o certo é que a sua continuidade no Benfica faz dele o melhor reforço das águias.
A jogada
Arranque positivo
Na jornada inaugural da Liga dos Campeões, as equipas portuguesas acabaram por ter um início prometedor. O Benfica fez o que lhe competia. Perante o adversário teoricamente mais acessível do grupo e a jogar em casa, tinha de garantir os três pontos. Um bom jogo, que também mostrou o Astana não é tão fraco como muitos pensavam. Já o FC Porto podia ter trazido 3 pontos da Ucrânia, mas um deslize defensivo acabou por comprometer a vitória. Não deixa de ser uma exibição segura, com um ponto conquistado num terreno difícil e que pode vir a ser precioso nas contas finais.
A dúvida
Uma novela esperada
A novela da renovação ou não de Carrillo pelo Sporting, tal como se previa, entrou em discussão. Está agora por se perceber se aquele que era tido como uma das principais armas de Jorge Jesus para lutar pelo título, um abre-latas para os corredores, com uma técnica e velocidade ao alcance de poucos, irá ou não dar o seu contributo à equipa. Muitas dúvidas a esclarecer por agora. Renova ou não? Se não fizer, será afastado da equipa? E se isso acontecer, ficará o Sporting mais fraco?
