A lacaia da FPF

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A lacaia da FPF
A lacaia da FPF

Em momentos de eleições ouvimos falar, sempre, em mudança e em programas de rutura com o situacionismo. No caso da FPF, a necessidade de romper com a ideia de que a “casa-mãe” do futebol português só serve para o penacho e para as passeatas com as Seleções Nacionais é premente. O modelo de dirigentes que a FPF tem produzido não conheceu a mínima evolução nos últimos 35 anos. Um presidente tem a obrigação de ter ideias, suscitar o debate e avançar com reformas que corrijam as deformações sistémicas. As Federações europeias são, por definição, lacaias da UEFA. Algumas, menos vergadas, assumem a sua personalidade e combatem fórmulas menos conservadoras.

A subsidiodependência não deveria ser uma castração. Nestes últimos três decénios, a FPF raramente agiu. Ao invés, foi reagindo ao sabor dos acontecimentos e, contrariada ou não, deixou-se punir pela força de outros poderes. Não se lhe conhece uma posição sobre arbitragem, finanças, doping, transferências, violência, políticas de bilhetes ou de valorização do jogador português. Nada. A FPF reage aos choques que lhe são infligidos por outras personalidades e entidades. A miséria total.

A três meses das eleições da FPF, na cabeça de algumas abencerragens ligadas direta ou indiretamente ao processo a ideia não é produzir propostas para melhorar o futebol português e atenuar as suas desigualdades. A ideia é dicotómica: uns acham que é preciso continuar a “portização” da Liga. A sede já está no Porto, Fernando Gomes é do FC Porto, Andreia Couto é do FC Porto, Tiago Craveiro é do FC Porto, as “pedras angulares” são do FC Porto, o que curiosamente agrada aos clubes de Lisboa. Outros, mais radicais, mas paradoxalmente pouco eficazes, acham que essa cedência provocou o deslocamento do “centro de poder” com evidentes consequências no tecido competitivo do futebol nacional. Acharam que ter a sede da FPF em Lisboa e a final da Taça de Portugal no Jamor eram sinais de força. Errado, já se vê, porque a bastarda da Liga impôs-se, sem contemplações, às hesitações miméticas da mãe.

O futebol profissional é um poder e vai ser, agora, um poder mais ativo, estabelecendo lógicas de proximidade com o “futebol não profissional” que precisa de saber valorizar. Por isso, a FPF precisa de uma presidência abrangente, de um líder que compreenda as necessidades do futebol português e não apenas das Seleções Nacionais. O futebol português necessita de reformular as suas competições, de criar critérios mais apertados na inscrição de jogadores estrangeiros, de regular as transferências e as derrapagens orçamentais, diminuir as assimetrias entre o litoral e o interior e promover a modalidade nos muitos aspetos positivos que ela encerra.

Esta é ainda, aos olhares de muitos “atores da bola”, uma “guerra” entre FC Porto e Benfica, com o Sporting a tentar entrar na contenda. Não deveria ser. Os clubes, as associações, os representantes dos jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, médicos e enfermeiros têm uma responsabilidade acrescida: despoluir e legitimar o futebol, “retirar” as vitórias da dependência da Disciplina e da Arbitragem para as colocar no campo – e... olhar para os adeptos! As negociações continuam.

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