A Liga de futebol tem que ser melhor
O futebol português enferma de nível competitivo e não consegue tornar-se uma liga de primeira grandeza na Europa. O campeonato português resume-se a três equipas: FC Porto, Benfica e Sporting. O Sp.Braga e o V. Guimarães tentam ter esse estatuto mas não o conseguem.
A percentagem de vitórias dos três grandes é muito elevada e o título decide-se nos jogos entre eles.
Um dos maiores problemas é falta de dinheiro, por exemplo, comparando com o futebol inglês, que tem a melhor liga do mundo, os 20 clubes juntos vão receber 6.900 milhões de euros que é distribuído de forma equitativa. Em Portugal os clubes pequenos, pequenos ficam. Os três grandes: o FC Porto e Sporting negociaram recentemente os seus direitos até 2017/18, por valores próximos dos 20 milhões por temporada; o Benfica, que os explora através de canal próprio, gerou uma receita de 28 milhões, devido às assinaturas.
A título de comparação, estes valores são entre três e quatro vezes inferiores ao que recebem os últimos da Premier League, mas também deixariam os três grandes na segunda metade da tabela de receitas TV em qualquer uma das outras Ligas europeias.
Urge uma mudança de mentalidades com distribuição equitativa das receitas do futebol. É desolador ver um jogo de futebol entre equipas do meio da tabela com pouquíssima assistência e interesse reduzido.
Se houvesse mais equilíbrio e qualquer equipa tivesse capacidade económica para comprar bons jogadores que não têm que ser necessariamente estrangeiros.
Este é um dos calcanhares de Aquiles do futebol português. Outro é a necessidade de profissionalizar a arbitragem.
Por fim, a necessidade de haver mais jogadores formados em Portugal. Há equipas em Portugal que alinham com todos os jogadores estrangeiros, o que é desconexo.
A maioria dos jogadores deveriam ser portugueses, mas não o é. Sou do tempo do Benfica só jogar com jogadores portugueses, actualmente é o Belenenses.
Devemos procurar imitar o que se faz de bem lá fora e evitar o que se faz de mal. Em Inglaterra, os clubes, a Premier League e a federação inglesa, todos concordam que será desejável ter nas equipas mais jogadores ingleses. A Inglaterra foi afastada da fase final do Mundial em 2014.
Em Portugal apesar de haver maior percentagem de jogadores nacionais (51%) do que em Inglaterra (33%), caminha-se a passos largos para esta situação. Num futuro próximo quem se vai ressentir é a Selecção A.
As "selecções Sub" conseguem excelentes resultados e por vezes melhores que a selecção A, todavia muitos desses jogadores perdem-se porque ficam tapados e não têm oportunidades nas equipas principais portuguesas. Muitos emigram e outros eclipsam-se. Estou-me a recordar de Nélson Oliveira um excelente ponta-de-lança que andou de empréstimo em empréstimo no estrangeiro, agora está perto de ficar em Braga a tentar relançar a sua carreira.
