A Liga eleitoral
Toda a gente queria correr com Mário Figueiredo; Mário Figueiredo acabou a correr sozinho e, claro, ganhou. Houve mais campanhas do que houve eleições. Convenhamos: visto de fora, é um bocado tonto. Ou os candidatos não sabem concorrer, o que é estranho em advogados e juízes, ou a secretaria tornou-se tão poderosa como a direção da Liga.
Fernando Seara e Rui Alves eram candidatos; Rui Rangel, Carlos Marta, Paulo Carvalho e Pedro Soares chegaram a dizer que o seriam. Luís Filipe Vieira afirmou mesmo há algumas semanas que “há mais candidatos do que clubes”. Como dizia o outro, haver, havia – agora é que já não há.
Não faço ideia de quem tem razão nem este texto é para dizer quem a tem ou quem a não tem: há órgãos e autoridades para decidi-lo. Mas deve deixar-se claro que não se percebe como é que um ato eleitoral que era tão disputado acaba com um candidato isolado. Mário Figueiredo surpreendeu na primeira eleição, afirmando-se como um candidato antissistema. E revalida o título contra os candidatos que, segundo o próprio, representavam o sistema. O sistema, afinal, não pode ser assim tão poderoso.
Fui daqueles que saudou a primeira eleição de Mário Figueiredo na Liga, precisamente por ter conseguido furar a rede e por propor uma distribuição de dinheiros pelos clubes mais pequenos. Que a rede foi furada não restam dúvidas: a forma como é detestado pelos “barões” do futebol é prova de que assim continua. No entanto, os resultados alcançados foram muito modestos. Fracos. Não houve mais distribuição de dinheiros pelas aldeias porque, para começar, não houve sequer mais dinheiros, houve menos. As receitas da Liga caíram. E assistiu-se, isso sim, a clubes pequenos virarem o bico ao prego com o tempo, deixando de apoiar o presidente da Liga. A sua vitória, por bizarra que tenham sido as condições, é a sua vitória. Mas tem também de transformar-se num projeto de futebol, pelo futebol e para o futebol.
PS: E agora começa o Mundial. Escreveremos sobre isso na próxima semana. Força, Portugal!
