A morte do Tour?
Em 1924, um dos irmãos Pélissier explicou os bons resultados com a frase: 'Andamos a dinamite'. A confissão de Francis, depois de ter sido visto na posse de pílulas, serve, por estes dias para justificar que o doping não é coisa de agora e que a luta é centenária.
Mas a pergunta que se coloca verdadeiramente é esta: Está o Tour, a mais mítica prova de ciclismo do mundo, à beira da morte?
Os organizadores vieram defender ontem, depois do novo escândalo protagonizado pelo italiano Riccò, que 'continuarão a combater o doping, numa luta, longa e difícil', acreditando estar a 'cada dia que passa mais perto de uma situação aceitável'.
Para Patrice Clerc, a 'grande maioria dos ciclistas não tem nada a esconder' mas estas convicções vão dizendo cada vez menos aos que foram tornando o Tour, além de uma prova desportiva memorável, um 'caso' social.
Os primeiros dias limpos em nada tranquilizaram quem gosta do desporto pelo desporto. Era só uma questão de tempo. Num dia, o primeiro escândalo, logo a seguir outro, e ainda maior.
Se pode ver verdade que cada ciclista apanhado é um ponto ganho na luta contra o doping, como refere o 'Le Parisien', não é menos verdade, o que se escreve no 'Liberátion': 'Viva o circo no ciclismo'.
Neste quadro, é com um misto de ironia e tristeza, que o 'La Dépêche du Midi' antevê as próximas edições marcadas pelo aparato dos 'gendarmes' nos hotéis dos dopados.
É assim, que o Tour quer passar a ser visto?
