A noite da Juve Leonix
Sá Pinto
A agressão de Sá Pinto a Artur Jorge marcou para sempre a simpatia que eu sentia pelo avançado leonino, aliás a mesma que sinto pelo tipo de jogador que Ricardo interpreta como ninguém: concentração e empenhamento absolutos, empatia com os adeptos, arrebatamento pelo jogo, amor à camisola. Que falta vai fazer à Selecção no Euro'2004! Confesso, apesar de tudo, que não fiquei indiferente ao seu regresso à equipa do Sporting e estou, mesmo, convencido que nesta boa fase do conjunto de Fernando Santos há já um pouco da personalidade de Sá Pinto, que passa facilmente para os colegas a sua capacidade de meter emoção no futebol. É a alma sportinguista que voltou.
Proença
Devo ter visto um jogo diferente, pois não tenho outra opinião que não esta: Pedro Proença fez uma excelente arbitragem no Benfica-Sporting. E se é sócio do Benfica, a minha admiração por ele ainda aumenta. Não foi perfeito, isso não. Se calhar foi batido pela perícia de Silva e de Liedson nos lances dos penalties. Se calhar caiu na armadilha da velha chicuelina de João Pinto, um décimo de segundo antes de se produzir o contacto com o defesa, no caso Miguel. Se calhar, podia não ter expulso Rochemback. Se calhar, se calhar. Mas foi um árbitro seguro, isento e com visível vontade de acertar. Fez um trabalhinho limpo, com erros, como sempre, que os computadores ainda não apitam, graças a Deus.
Jorge Costa
Repito aqui, quase pelos mesmos motivos, o elogio a Sá Pinto. Ainda hoje me interrogo como foi possível a um líder forte como Pinto da Costa atirar pela borda fora durante quase uma época um futebolista com o carisma e a imensa capacidade de sacrifício de Jorge Costa. É outro dos jogadores cujo prematuro afastamento da Selecção restringe drasticamente as opções de Scolari e priva a equipa de todos nós da participação de um profissional que está sempre em jogo, sempre na luta, sempre na procura da vitória com uma determinação inquebrantável. Foi pena que o capitão portista não estivesse até ao fim do jogo com o Rio Ave para Benni lhe poder dedicar o golo decisivo.
Sequeira Nunes
Acho Sequeira Nunes o melhor presidente do Belenenses desde os tempos em que Mário Rosa Freire deu ao clube do Restelo - depois de o ter arrancado às garras da II Divisão - uma dimensão (e uma equipa de futebol) que o grémio azul há muito desconhecia. Foi com este presidente que o "Belém" consolidou a gestão equilibrada que hoje o caracteriza, um bem inestimável no cenário de desvario que continua a envolver o futebol português e que - a não se arrepiar caminho - acabará por conduzi-lo à ban- carrota. E não tendo o Belenenses vontade nem pretensão de se meter em loucuras, qualquer lugar na SuperLiga entre o quarto e o décimo é fantástico ou é razoável, mas chega. Não entendo, portanto, porque se mandou embora Marinho Peres - um treinador à medida de um clube que tem de tirar o máximo proveito de um plantel necessariamente "remediado" - nem como se permitiu que Manuel José aceitasse os desequilíbrios hoje à vista. Mas entende-se ainda pior esta contratação de Mr. Bogi, um técnico que, por muito bom que seja, não é capaz de comunicar. E a comunicação, hoje, é quase tudo, dr. Sequeira Nunes! Olhe a II Liga à espreita. Arrepie caminho, enquanto é tempo...
Camacho
O homem era maravilhoso, bestial, hoje não sabe escolher a equipa, é uma besta... Não vou embarcar nesta velha lusotécnica de tão depressa meter uma pessoa nos píncaros como logo fazer dela o pior dos malfeitores. Continuo firme na minha opinião de que o espanhol é um grande treinador e que com ele muito tem ganho o Benfica. Mas não resisto a fazer-lhe uma pergunta em nome dos benfiquistas: por que não joga Ricardo Rocha a central?
A primeira página que gostava de ter feito
"Assim não dá, engenheiro!" rezava a manchete de Record na edição seguinte à aziaga noite de 17 de Dezembro em que o Sporting foi eliminado da Taça de Portugal pelo V. Setúbal, após uma pobre exibição que fez ecoar pelo Estádio de Alvalade, no final do jogo, um monumental coro de assobios. Agora, depois da vitória leonina na Luz, Record devia ter escolhido para manchete algo como: "Assim está bem, engenheiro!" ou "A grande obra de engenharia". Mas outros argumentos se levantaram e... ficamos em dívida, Fernando Santos!
