A nova fase da Seleção
Com a Seleção Nacional a precisar de testar novas ideias e jogadores, em função da chegada de um novo selecionador, o amigável de amanhã com França surge na altura ideal para Fernando Santos. Servirá de tubo de ensaio para o importante desafio que se segue na Dinamarca e permitirá tirar algumas conclusões sobre qual a equipa portuguesa que teremos daqui para frente.
Aprimeira convocatória de Fernando Santos deixou uma mensagem explícita: não há jogadores proscritos e a meritocracia é para se usar. A porta está aberta para quem quiser ajudar. Quem estiver em melhor forma será chamado. Numa fase em que as soluções para a equipa nacional são mais escassas, o selecionador conseguiu assim alargar esse leque e trouxe maior experiência ao grupo.
Face ao atual momento da Seleção, a maturidade é um fator de extrema importância e utilidade, na medida em que jogadores mais traquejados a nível internacional, como Tiago, Danny, Quaresma e Ricardo Carvalho, além do contributo desportivo que ainda podem dar, ajudarão certamente a fortalecer o espírito de grupo e a integrar os elementos mais novos, mostrando-lhes o caminho a seguir e quais as responsabilidades de um internacional português.
Há sempre quem possa dizer que, depois de protagonizarem alguns casos de indisciplina, alguns jogadores não mereciam nova chamada. Contudo, este foi, na minha opinião, um indicador da liderança e autoridade de Fernando Santos, que se afirmou no cargo e estabeleceu regras. Se os atletas estiverem dispostos a aceitá-las e respeitarem as decisões do selecionador, reconhecerem os erros passados e estiverem prontos a dar tudo pela sua Seleção, a equipa só tem a ganhar com o regresso. Todos podem errar, o importante é saber aprender com os erros e tirar as devidas lições para não os repetir. Quem prevaricou sabe que não poderá voltar a fazê-lo e serve de exemplo para outros.
Um líder não precisa mostrar que o é, basta sê-lo. Pelas palavras dos jogadores nacionais depreende-se que o selecionador vai conquistando a empatia dos atletas. Há um tocar a reunir, com um intuito de remar contra a maré e voltar a obter resultados positivos, mais condizentes com a imagem e o prestígio de Portugal. E nesta altura, ter os índices de confiança e motivação no máximo é uma condição vital para começar a conquistar os pontos necessários no apuramento para o Euro’2016.
Adepto de um futebol alegre e ofensivo, como se viu nos períodos em que treinou FC Porto, Benfica e Sporting, mas que também sabe colocar a jogar equipas pragmáticas e mais defensivas, como se viu na Grécia, a grande curiosidade em torno de Fernando Santos passa por perceber qual a estratégia que vai tentar implementar na equipa portuguesa e também que funções irá atribuir a Cristiano Ronaldo.
Para esquecer os últimos jogos, pede-se uma equipa criativa e mais tranquila. Que se consiga soltar do nervosismo, esteja serena na defesa e aproveite os dinamismos do meio-campo para servir os avançados com novas ideias e futebol fluido. Por sua vez, com as opções para ponta-de-lança cada vez mais reduzidas e, com vários extremos na convocatória, o desvio de CR7 para uma zona mais central poderá ser uma realidade. E estando o capitão português a passar por uma fase concretizadora notável (17 golos em 11 jogos esta época), a experiência até poderá dar bom resultado.
O CRAQUE
Dragão de ouro
Danilo será distinguido pelo FC Porto como Atleta do Ano e o prémio acaba por surgir no seu melhor momento desde que chegou a Portugal. A excelente forma em que se encontra já lhe valeu a confiança de Dunga, com duas chamadas para o escrete. O brasileiro tem sido uma verdadeira locomotiva no lado direito dos portistas, com uma capacidade física que impressiona pelo seu incansável sobe e desce, sem comprometer a defesa e dando uma preciosa ajuda no ataque. É um dos ativos mais preciosos dos portistas e o seu desempenho tem vindo a mostrar isso.
A JOGADA
O outro Danilo
O Braga impressionou pela forma como dividiu o jogo no Dragão e como equilibrou os duelos no miolo do terreno. E muito por culpa de um menino de 18 anos. Danilo não tremeu e foi sempre o primeiro tampão à frente dos centrais bracarenses e ainda conseguiu construir jogo, dando origem a várias transições ofensivas. Denota excelente posicionamento e uma leitura de jogo acima da média. A continuar assim, rapidamente se tornará um jogador imprescindível para os minhotos e também para o Brasil, que conta com ele para a equipa que vai disputar os Jogos Olímpicos.
A DÚVIDA
Escassez de avançados
Nas duas convocatórias das seleções A e sub-21 apenas consta um ponta-de-lança de raiz: Éder, que até perdeu a titularidade no Braga para Zé Luís. O ponta-de-lança português é cada vez mais uma espécie rara. E um jogador com forte potencial para desempenhar a função, como Nélson Oliveira, está neste momento a atravessar uma espécie de travessia no deserto, sem espaço para jogar na Luz, o que trava a sua evolução. Seria importante que o jogador conseguisse espaço competitivo. Será que o terá ao serviço do Benfica?
