A opinião de João Pinto e não só
João Vieira Pinto pode ter tido uma despedida inglória da Selecção (o episódio do soco ao juiz argentino durante o Mundial de 2002 impediu-o de sair pela porta grande), mas duvido que alguém coloque em causa a sua qualidade futebolística, assim como todo o seu empenho - desde tenra idade - em prol das várias representações nacionais em que esteve envolvido. Por isso mesmo, quando resolve falar sobre algo que pode mexer com o futuro do futebol português, no mínimo, concordando ou não, devemos ouvi-lo.
Aproveitando a passagem do 20.º aniversário do título mundial de juniores conquistado na Arábia Saudita, JVP assumiu, sem reticências, estar contra uma hipotética chamada de Liedson à Selecção. O ex-jogador, claro, não poupou elogios ao goleador leonino, mas considera não ser esse o caminho correcto a trilhar. Anteriormente, aliás, João Vieira Pinto também 'torceu o nariz' às chamadas de Deco e Pepe. E nunca foram as questões técnicas que o levaram a tomar essa posição. Ele, resumidamente, está é contra a possibilidade de cidadãos naturalizados (sem ascendência portuguesa) representarem o País.
Não podia estar mais de acordo com JVP. Considero que os três futebolistas em causa são excelentes, que têm lugar de caras no lote dos seleccionáveis de Queiroz (como, seguramente, terão em quase todas as selecções do planeta, incluindo a brasileira) e que sem eles o poder da nossa actual selecção fica consideravelmente reduzido. Mas, em meu entender, o que está em causa é uma questão de princípio.
E para evitar a habitual conversa da xenofobia, reafirmo pela enésima vez que não tenho nada a ver com isso, nem me interessa saber se os jogadores em causa jogam no clube A, B ou C. Aceito que os atletas oriundos dos PALOP (quase todos com pais ou, no mínimo, avós que nasceram portugueses, tendo em conta que nessa altura Portugal não ia só do Minho ao Algarve, com passagem pela Madeira e Açores...) possam solicitar a cidadania lusa e joguem por Portugal. Não me choca, igualmente, que alguém que passe a ser português através de casamento (dos reais, não dos fictícios) possa, de seguida, representar Portugal. Só sou contra que alguém que não preenche nenhum dos requisitos (descender de portugueses, ter nascido no País ou ter casado com um cidadão luso) tenha a hipótese de actuar pelas mais diversas selecções. É só isto.
Tenho perfeita noção que existem regras para a naturalização e que todos os estrangeiros, desde que estejam em condições de a solicitar, o possam fazer. Basta assim o desejarem. Mas, concordando com isso tudo, não me parece bem que sejam seleccionáveis. Como também não gostaria, caso fosse possível, que ocupassem o cargo de Presidente da República.
Bom, regressemos ao futebol. A opinião de João Vieira Pinto não é, contudo, apenas dele (e minha). Gilberto Madaíl e Carlos Queiroz (o treinador - pelo seu passado histórico no futebol luso, pelo que lutou para abrir as portas do escalão principal aos jovens, pela revolução que levou a efeito quando em Portugal tínhamos equipas recheadas de estrangeiros - não pode concordar com isto), antes de decidirem o que fazer no caso de Liedson (os outros, por razões óbvias, não estão em causa agora), podiam e deviam escutar o que pensam sobre o assunto pessoas como Figo, Rui Costa, Fernando Couto, Vítor Baía, Pauleta, Jorge Costa e tantos outros. Tenho a certeza de saber o teor do pensamento da maioria...
