A polémica das naturalizações

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Intensifica-se o debate em torno da mais que provável chamada de Liedson para o que resta da caminhada lusa na qualificação para o Mundial de 2010. É normal. Como também me parece pacífico que uns apoiem a convocatória do dianteiro e outros a considerem nova machadada naquilo que em tempos reconhecíamos como... Selecção Nacional. Só não me parece lógico é que se misturem dados, confunda conceitos e se tente justificar determinadas coisas com erros e/ou mentiras.

Tal como defendeu recentemente o meu camarada Paulo Renato Soares, também não concordo com a convocatória de Liedson. Mas, para que fique bem claro, pela enésima vez vou tentar explicar as razões que me levam a estar do lado do "não", avançando, desde já, que não está (era só o que faltava) a qualidade do jogador em causa:

- Por uma questão de princípio. Sempre defendi (e continuarei a defender, pese as teses da globalização, das mudanças que vão ocorrendo na sociedade, da política adoptada por outras nações, etc, etc) que as várias selecções nacionais devem ser exactamente isso... selecções nacionais. Por outras palavras, Portugal deve jogar com portugueses e não com brasileiros, chineses ou albaneses.

- Concordo com quem diz que, aberto o precedente (com Deco e depois continuado com Pepe), não será lógico, agora, travar o processo. Infelizmente é verdade mas, por outro lado, também não fica mal a ninguém reconhecer que se errou e tentar não repetir o deslize. Liedson não deve ser discriminado, mas a continuar-se assim poderemos, em breve, ver uma pretensa Selecção Nacional sem um único português. É possível, mas espero nunca ter de assistir a isso.

- Falar em clubite ou em xenofobia nestes casos é mera demagogia. Liedson podia ser do FC Porto, do Benfica ou do Atlético. Olharia para o caso sempre da mesma forma: um excelente futebolista, avançado de créditos firmados que talvez tivesse justificado uma oportunidade na Selecção Nacional... do Brasil. E se o dianteiro, em vez de brasileiro, fosse nigeriano ou tailandês... nada mudaria, apenas a selecção que deveria representar.

- Tentar estabelecer comparações com outros jogadores, de Eusébio a Nani ou de Dimas a Petit (entre tantos outros) é, mais uma vez, completamente despropositado. Antes da independência das antigas colónias, todos os que lá nasciam eram portugueses, tanto como os transmontanos, algarvios ou lisboetas. E no passado, como hoje, quem nasce em Portugal - mesmo sendo filho de estrangeiros - pode ser português, da mesma forma que quem tem progenitores ou avós lusitanos (o que sucede, naturalmente, com todos os jovens dos PALOPS...) até pode nascer na Mongólia que, se quiser, poderá sempre ser português. Depois, ainda existem os casos em que a nacionalidade é adquirida através do casamento, algo que, como se sabe, também não aconteceu neste caso.

- Não vejo qualquer problema que um emigrante, futebolista ou pedreiro, possa pedir a cidadania nacional caso preencha os requisitos para o fazer. É justo. Só não concordo é que esse cidadão possa, posteriormente, representar Portugal em qualquer Selecção Nacional. E não me digam que isso é catalogar os portugueses entre os de primeira e segunda. A menos que se diga que a própria Constituição o faz. A prova disso é que nenhum naturalizado pode ser Presidente da República. Procedimento comum em quase todos os países do Mundo, acrescente-se.

Para quem discorda das questões de princípio, ainda acrescento que Liedson não é um jovem (se Portugal falhar a África do Sul deixará de fazer sentido convocá-lo a pensar no Euro'2012) e que, até há bem pouco tempo, dizia (com justiça, acrescente-se) que esperava ser internacional... no escrete.

Reafirmo que nada me move contra Liedson. Aliás, se a sua postura no processo (pelo que escrevi no parágrafo anterior) não é exemplar, considero bem pior as de Gilberto Madaíl (o que tem feito para que os campeonatos nacionais, dos iniciados aos seniores, não estejam repletos de estrangeiros?), Carlos Queiroz (para quem sempre defendeu o jogador nacional é estranho vê-lo alinhar neste "filme") ou Joaquim Evangelista (não me recordo de o ver, tão vigoroso, a reclamar contra as chamadas de Deco e/ou Pepe).

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