À Porto

Adicione como fonte preferencial no Google
À Porto
À Porto

O FC Porto tem um presidente que lidera, um treinador que gere os ativos que a SAD lhe coloca à disposição, uma equipa que projeta toda a cultura de um clube e dois jogadores com características únicas no Mundo – Hulk e Falcão O FC Porto tem ainda algumas pedras angulares menos visíveis de uma estrutura que trabalha e não faz ruído. O FC Porto é um exemplo de liderança em pirâmide em que todos os atores sabem o seu papel e se respeitam entre si, sabendo ser solidários. O FC Porto ganhou mais um título europeu, porque trabalhou para isso. Dentro da cabina e fora dela.

Não tivemos um FC Porto totalmente eloquente na final de Dublin? É verdade que não. Tivemos, no entanto, um FC Porto completamente identificado com os seus princípios basilares: se não consegues ser extraordinário, tens de ser eficaz. Se não consegues alcançar a “nota artística”, tens de ganhar.

Todos fizeram o seu papel: André Villas-Boas, a partir de agora, o “Golden Kid”, apostou na lógica de toda a temporada: colocou os melhores jogadores em campo e vestiu a “bata branca” para operar, durante o jogo, pequenas “cirurgias táticas”. Helton é aquela “grandeza da paz” na baliza. Defende com um sorriso. E, neste final de época, respondeu com brilhantismo. Moutinho é o geómetra. Avança e recua. Fecha e abre espaços. Acelera e, quando é preciso, arrefece os motores da equipa. O “jogador invisível” que protagoniza os olhos e os raciocínios de AVB dentro do terreno. Hulk é o furacão. Se não tem espaço à direita, procura-o no lado oposto. Se as deambulações não resultam, recua para ganhar uma nova dimensão. Falcão é o dono do espaço aéreo, chegando onde mais ninguém chega. Estas são as virtualidades técnico-táticas.

Pinto da Costa e os seus “comandos” fazem o resto. Criam condições de estabilidade interna. A prorrogação e revisão dos contratos de Hulk e James são apenas dois exemplos de visão estratégica. Talvez não seja possível “segurar” Falcão, mas essa é uma inevitabilidade, a prazo, decorrente das dinâmicas que se estabelecem no futebol.

O FC Porto chega a Dublin e ao final da temporada (domingo, no Jamor) sem abrir brechas. Percebemos que há movimentações e contactos. Mas é como nada se passasse – talvez o maior “segredo” do FC Porto. Os seus adversários precisam de palco na comunicação social; o FC Porto, naquilo que é possível alcançar, preocupa-se em não fazer perigar os seus pilares e os níveis de solidariedade.

Tudo tem o seu tempo e o FC Porto volta a “marcar os tempos” no futebol português. Ao invés, o Sp. Braga apresentou-se em Dublin ferido na sua unidade. Jogadores comprometidos com outros clubes, um treinador de saída, um edifício em desagregação. Não quer dizer – como já aconteceu noutras ocasiões – que o Sp. Braga, sob a batuta, diligente, de António Salvador não volte a reorganizar-se e a evidenciar a sua verve competitiva. Fica, todavia, claro que o Sp. Braga fez um pequeno “milagre” em reunir todas as suas valias e exibi-las até ao último minuto da época. A taça ficou com a melhor equipa e com a melhor organização. “À Porto”.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade