A preocupante realidade leonina
A derrota caseira com o Barcelona não chega para deslustrar a participação do Sporting na actual edição da Liga dos Campeões. O mais importante era (e é) a histórica qualificação para os oitavos-de-final da prova. E isso, sem sobressaltos de maior, foi conseguido logo ao quarto de seis embates. Melhor, convenhamos, era difícil.
Mas, olhando para os companheiros de grupo, o Sporting fez exactamente o que era esperado: desembaraçou-se em casa dos débeis suíços do Basileia; teve de se aplicar a fundo perante os sempre imprevisíveis ucranianos do Shakhtar e foi incapaz de fazer frente ao todo-poderoso Barcelona. Por outras palavras, os leões cumpriram a lógica dos potes: ficaram à frente dos emblemas com menor cotação internacional e atrás do mais forte.
Desportiva e financeiramente, o Sporting não se pode queixar do desempenho na "Champions". E isso continuará a ser válido mesmo que, na fase seguinte, o clube de Alvalade não consiga saltar para os "quartos". Mas, se isso é uma constatação óbvia, também me parece claro que a equipa dirigida por Paulo Bento tem entre mãos um problema grave. Falo da notória incapacidade para ser competitiva diante adversários de nível idêntico ou reconhecidamente superior, visível através do invulgar número de golos sofridos nesses duelos.
Vejamos os factos: 5 golos sofridos no Santiago Barnabéu em jogo particular com o Real Madrid; 5 em casa perante o Barcelona; 3 em Camp Nou; 2 na Luz, outros 2 em Alvalade com o FC Porto para a Liga Sagres e 1, igualmente diante dos portistas em condição de visitado, para a Taça de Portugal.
A excepção surgiu na Supertaça, embate em que o Sporting não sofreu golos (2-0) e, curiosamente ou talvez não, acabou por conquistar o troféu às custas do FC Porto.
Podemos dizer que, em vários dos jogos atrás referidos, o Sporting apresentou baixas de vulto; que a sorte não acompanhou a equipa; que o futebol produzido não foi assim tão mau e que, em determinados momentos, até conseguiu ser superior aos adversários. Tudo isso é verdade, mas para a história ficaram 6 derrotas, embora uma das quais através do desempate por penáltis.
O Sporting, através desta terceira participação consecutiva na "Champions", procura recuperar uma posição de destaque no contexto do futebol europeu. Mas, a frieza dos números, mostra-nos que, para atingir o patamar seguinte, ainda falta qualquer coisa. E sendo possível observar outra lacunas, é evidente que a defesa precisa de ter outro rendimento. Em condições normais, por exemplo, marcar 2 golos em casa ao Barcelona seria sempre um feito importante. Porém, quando se sofrem 5... torna-se vulgar e, pior que isso, insignificante.
