A queda de Lagos
Toda a gente conhece a empresa de João Lagos. Ela organiza eventos como a Volta a Portugal em Bicicleta ou o Open do Estoril. Ela colocou Portugal em vários circuitos desportivos mundiais. Ela está praticamente falida – foi agora tomada pelos credores.
Há alguns anos que a João Lagos Sports se arrasta em dificuldades financeiras mas foi agora que os credores desistiram dela. Os bancos deixaram de financiar o défice, as dívidas a fornecedores aumentaram, falou-se em salários em atraso e o Grupo Espírito Santo, o maior dos credores, tomou conta da empresa e, como revelou o “Negócios”, chamou um gestor para assumi-la: Pedro Rebelo Pinto, até há dias presidente executivo da Glintt (ex-Pararede).
Este desfecho, triste, é a imagem do País. João Lagos está longe de ser um novo-rico emergente, é um homem que recebeu ao longo de anos elogios e prémios de reconhecimento, realizou os maiores eventos desportivos em Portugal no ténis, golfe, desportos motorizados, vela, surf, hipismo. Teve o apoio da banca e beneficiou de boa vontade política. Ainda hoje é difícil perceber por que razão a Santa Casa da Misericórdia lhe patrocinou (e assim viabilizou) o Lisboa-Dakar, para promover o Totoloto no Senegal? E o Instituto do Turismo, quantos apoios lhe deu?
João Lagos teve apoios, teve visão mas não teve gestão. A empresa viveu acima das suas possibilidades, foi megalómana, era inviável. E quando, em plena crise financeira, os bancos deixaram de poder continuar a subsidiar empresas insustentáveis, os patrocinadores reduziram os seus investimentos e o Estado deixou de ajudar, quebrou. Nas recessões sobram poucos amigos. Como bem o sabe Portugal, que efabulou um modo de viver inviável e financiado por bancos estrangeiros, como se não houvesse limite. Havia: ei-lo.
