A resposta natural
Portugal mantém intactas as aspirações com que iniciou este Campeonato do Mundo e continua a justificar o estatuto de candidato ao título, tal como outras seleções, é certo. Com o lote de jogadores que possui, com o talento à disposição de Roberto Martínez, continuo a acreditar que pode chegar, no mínimo, à final da competição.
É claro que a Seleção Nacional não entrou bem neste Mundial, o que até se pode considerar natural. Aliás, aconteceu o mesmo com outras grandes equipas presentes no torneio. O desempenho na estreia, frente à RD Congo, ficou aquém das expectativas, mas o segundo jogo foi diferente. Tanto esta geração, como praticamente todas as anteriores, costumam dar uma resposta positiva em circunstâncias semelhantes. Há uma espécie de toque a reunir sempre que a estreia não corre de feição. Os jogadores percebem o que está em causa, conversam, refletem, analisam o que de menos bom aconteceu e, habitualmente, conseguem ter um melhor desempenho. A união de um grupo permite isso mesmo.
O Uzbequistão era um adversário acessível, é verdade, mas houve diferenças no desempenho da nossa equipa, tanto a nível técnico, como estratégico e até mesmo emocional. Para a goleada ter sido possível, foi necessário emergir a qualidade dos nossos melhores jogadores. Cristiano Ronaldo esteve em plano de grande evidência, revelando-se mais uma vez letal na área contrária, e os laterais João Cancelo e Nuno Mendes, por exemplo, deram à equipa a profundidade necessária, contribuindo para uma exibição extremamente positiva da equipa nacional.
O grande teste, de qualquer forma, surgirá na madrugada de sábado para domingo, quando Portugal defrontar um opositor que está num patamar mais elevado, como é o caso da Colômbia. Os sul-americanos vão, por certo, causar dificuldades com que Portugal ainda não se deparou. Neste encontro, que será o último do nosso grupo de qualificação, poderemos melhor aferir, através de dados mais relevantes, quais as aspirações e qual o verdadeiro potencial da equipa. A competição, todavia, ainda será longa e há ainda muita história por escrever.
