A saída de Nani
1 Na segunda parte da entrevista a Bruno de Carvalho, que hoje publicamos, o presidente do Sporting acaba com uma eventual réstea de esperança dos adeptos, afirmando, de forma perentória, que Nani não continuará em Alvalade. Muitos argumentos se podem esgrimir relativamente ao desempenho do internacional português na época de regresso à casa-mãe. Teve altos e baixos, é verdade, mas foi ele em parceria com Rui Patrício quem fez com que os homens de Alvalade subissem um patamar de qualidade nos compromissos de maior grau de dificuldade. Assim como é óbvio que o Sporting não pode manter alguém com um salário "à Manchester United", parece também evidente que, por muitas buscas que faça no mercado, também não encontrará com o dinheiro que tem disponível um jogador desta qualidade para a próxima época. Objetivamente, Nani não terá substituto. Aplaude-se a perseverança de Bruno de Carvalho e até se pode desculpar a inocente utopia que encerra a frase proferida na nossa edição de ontem: "Só ficarei satisfeito quando for campeão". A não ser que um milagre aconteça – ou que em Alvalade se recomece a viver acima das possibilidades, o que seria o pior dos cenários –, o líder dos leões só sentirá mesmo motivos de satisfação quando estiver em condições de investir como FC Porto e Benfica. O regresso de Nani a Inglaterra é, no fundo, um sintoma de impotência financeira e, consequentemente, de debilidade desportiva.
2 A Seleção Nacional está de regresso à ação para disputar um apuramento que ficou substancialmente facilitado depois dos incidentes no Sérvia-Albânia e, justiça seja feita, após a vitória da equipa das quinas na Dinamarca. Pelos dados conhecidos até ao momento, jogos e treinos, Fernando Santos continua a insistir num sistema tático que tem tanto de inovador como de contranatura. Tendo muitos elementos de qualidade do meio-campo para a frente, e à falta de um único ponta-de-lança de categoria, Portugal preenche bem o miolo do terreno e coloca dois jogadores na frente de ataque sem que um deles seja um verdadeiro homem de área. O próximo selecionador, da equipa principal ou dos escalões de formação, que consiga "parir" um ponta-de-lança ficará definitivamente na história do futebol português.
