A Selecção e os assobios

Adicione como fonte preferencial no Google

Os jogadores da Selecção não gostaram de ouvir assobios em Leiria, durante e no final da sofrível exibição diante da Arménia. É normal, pois não conheço ninguém que considere simpático ser apupado. Mas, convenhamos, o público - que paga para assistir a um espectáculo - tem todo o direito de manifestar o respectivo desagrado quando não fica satisfeito. Desde que o faça com civismo... não vejo problemas nisso. E, para mim, assobiar não é nenhum acto de vandalismo. Apenas e só uma demonstração de insatisfação. Ainda por cima legítima, pois quem não concordar que Portugal rubricou uma prestação horrível frente aos arménios ou não viu o jogo ou estava distraído!

Cristiano Ronaldo afirmou, indignado, que em Inglaterra, em 5 anos, nunca foi assobiado pelos adeptos do Manchester. É possível, mas em contrapartida passou semanas a ouvir tudo e mais alguma coisa dos simpatizantes dos outros clubes e mesmo da imprensa. Faz parte do ofício. Ser futebolista não é só ganhar muito dinheiro e ser famoso, é também perceber a lógica do sistema.

O futebol é um desporto de paixões, pelo que nem sempre é visto ou analisado de forma racional. E isso sucede em Portugal, na Inglaterra ou em qualquer outro país. E ver adeptos a assobiar a sua própria equipa é uma prática corrente, nas selecções ou nos clubes. Por exemplo, a Holanda, já apurada para o Europeu de 2008, jogou muito mal, em casa, face ao frágil Luxemburgo. O público não parou de vaiar os seus atletas e, claro, nem o "score" de 1-0 os fez mudar de opinião.

Os membros da Selecção deviam estar preocupados e sentidos com o País caso não fossem devidamente apoiados ou não tivessem todas as condições para desempenhar de forma positiva o seu trabalho. Mas, isso, não se verifica. Os portugueses lotaram o estádio de Leiria e vão fazer o mesmo no Dragão, pois estão, estiveram e irão estar sempre com a equipa. É assim há mais de uma década. E os jogadores são os principais responsáveis por essa relação, visto serem eles que marcam os golos que nos têm colocado, sem falhas, nos últimos Europeus ou Mundiais.

Mas, se a nação está de "pedra e cal" com a equipa, isso não significa que tenha de gostar da exibição; das opções do treinador ou das declarações dos atletas. Um pai deixa de gostar de um filho por o repreender quando faz alguma coisa errada ou menos certa? Não creio!

Nesta "final" com a Finlândia, dou de barato que Portugal não jogue bem, desde que seja possível garantir, pelo menos, 1 ponto. Falhar a qualificação para o Europeu é impensável, pois a Selecção Nacional, jogando perto do que sabe, só tem de garantir um dos dois primeiros lugares de um agrupamento que, sem rodeios, era mais que acessível.

Tendo em conta que a Selecção marca golos há 17 jogos, acredito que, quando começar o jogo, seja preciso sofrer 2 para ficarmos de fora do Europeu. Duvido que isso aconteça, mas também não me esqueço que, a 27 de Março de 2002, também no Porto, os finlandeses nos brindaram com 4-1. Mas, o melhor é não pensar nisso...

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade