A sobrevivência dos fundos
Já passou mais de um ano desde que a FIFA decidiu proibir a partilha de passes de futebolistas com fundos de investimento. Muitos diziam que este seria o fim dos fundos, mas até ao momento eles continuam aí. Apenas mudaram o seu modo de operação. E é bem possível que esta nova realidade que estamos a observar até seja mais prejudicial para a atividade dos clubes.
O modelo tradicional de partilha de passes de jogadores entre clubes e fundos, conhecido como “third-party ownership” (TPO) terá surgido com maior peso durante a década anterior. A falta de crédito da banca levou os clubes a procurarem outras fontes de financiamento. Os países da América do Sul, grandes fornecedores de atletas para a Europa, foram os pioneiros. E o sistema ficou ainda mais conhecido quando os argentinos Carlos Tevez e Javier Mascherano se mudaram para o West Ham de Inglaterra em 2006, num negócio polémico que levou a liga inglesa a banir os TPO.
Por seu lado, em Portugal e Espanha, os fundos tiveram espaço para poder germinar. Para poderem ombrear com equipas de ligas milionárias, os clubes portugueses receberam este apoio de braços abertos, já que permitiu adquirir jogadores de grande potencial com capital que não possuíam em troca de uma percentagem do passe na altura da venda dos atletas. Em teoria, a solução é interessante, mas também existe o reverso da medalha.
Sobre estes investidores pouco se foi sabendo, apenas que se tratam, na sua maioria, de empresas offshore sediadas em paraísos fiscais. E a falta de transparência é uma enorme desvantagem. Não saber quem são estes investidores e de onde vem o dinheiro é um problema. Além disso, os relatórios e análises de conceituadas entidades internacionais, como o Centro de Direito e Economia do Desporto e o Centro Internacional de Estudos do Desporto, concluem que os TPO trazem efeitos negativos a médio e longo prazo, na medida em que, em vez de ganharem maior capacidade financeira, os clubes acabam por ficar presos “num ciclo vicioso de dívida e dependência”, uma ideia também defendida pelo presidente do Sporting.
Os investigadores entendem ainda que os fundos tendem a influenciar a gestão desportiva dos clubes e a sua política de transferências. Isto faz com que os jogadores transacionados nem sempre estejam a par do que o futuro lhes reserva, e a vontade dos fundos em obter lucro imediato nem sempre combina com o desejo de desenvolver o potencial dos atletas. E surge agora o cenário novo de alguns treinadores poderem estar ligados também a fundos de investimento, potencialmente disponíveis para colocar na montra jogadores que possam vir a dar dinheiro ao fundo com que estão supostamente relacionados.
Esta ideia de os clubes estarem limitados à compra de jogadores pelo catálogo apresentado pelos fundos de investimento não é positiva para o futebol. Nem abre perspetivas de grande futuro para os clubes, já que correm o risco de se transformarem em meras barrigas de aluguer destes investidores anónimos. É uma forma de condicionamento, sem nada a ganhar.
Passou um ano e os fundos continuam. Podem não partilhar passes, mas por via da aquisição de clubes (que às vezes ninguém conhece) e empréstimos de capital parece que a sua influência é cada vez maior. E numa indústria do futebol em que o risco financeiro é uma realidade (nem sempre se acerta numa ou noutra contratação), surpreendentemente os fundos raramente saem a perder. É tempo de criar regras para quem quer investir no futebol. Com mais transparência, todos sairão a ganhar.
O Craque – Uma revelação em Braga
Ao longo dos últimos anos, a consistência defensiva tem sido uma imagem de marca do Braga, que tem neste momento a melhor defesa da liga com apenas 4 golos sofridos. Saiu Aderlan Santos, mas a equipa já encontrou sucessor: Willy Boly. Proveniente da conceituada escola de formação do Auxerre, o central francês de 23 anos foi promovido da equipa B e está a ter um excelente arranque de temporada, sendo uma das revelações. É um defesa robusto, forte na marcação e no jogo aéreo, com timing acertado na antecipação. Tem potencial para crescer ainda mais.
A Jogada – Testar armas para o Euro’2016
Portugal vai começar a sua preparação para o Euro’2016. Nas partidas com a Rússia e o Luxemburgo é tempo de testar as armas e ver quais os jogadores que melhor podem servir as ideias de Fernando Santos. Dado que para alguns jogadores estas são as primeiras chamadas à Seleção, é bom que se possam ambientar ao grupo e comecem a acumular experiência, que será preciosa no caso de uma eventual convocatória para a competição. E será também positivo ver como se integram os meninos Rúben Neves e Gonçalo Guedes, dois nomes que marcarão o futuro da equipa das quinas.
A Dúvida – E a UEFA assobiou para o lado
Uma situação completamente inacreditável aquela que viveu a equipa do Braga em Marselha, onde um misterioso assalto levou as botas dos jogadores. É evidente que este facto condicionou a prestação da equipa, sujeita a jogar com calçado a que não estava habituada. E estou completamente de acordo com o treinador Paulo Fonseca quando diz que se isto acontecesse com um Real Madrid ou um Manchester United, a UEFA não teria permitido que o jogo fosse realizado. Quando se termina com esta lógica de ter dois pesos e duas medidas?
